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Eu me sinto um estrangeiro...

...passageiro de algum trem
que não passa por aqui
que não passa de ilusão...

Voltei ao Brasil! :)

Estou morando em Curitiba e trabalhando na Aliança Empreendedora (conto mais em breve), mas continuo me sentindo uma estrangeira...

...no meio de um monte de gente que eu não conhecia (e fazendo novas amizades)
...aprendendo a pegar ônibus pra chegar no trabalho / em casa
...conhecendo a cidade aos pouquinhos
...me perdendo, me achando, me adaptando...

e ouvindo diversas vezes que "o meu Brasil" é diferente do deles...

...seja quando eu faço "torrada" e o pessoal chama de "misto-quente"
...ou quando eu digo que tomei "batida" no café da manhã e o pessoal acha que eu sou uma bêbada (para os não-gaúchos: batida pra mim é leite batido com frutas no liquidificador)
...ou quando ando por aí tomando chimarrão, querendo comemorar o 20 de setembro...

Mais uma vez, encontro-me em fase de adaptação...

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Floripa

Toda vez que vou pra Florianópolis, volto dizendo "vou morar lá!"

É que a Ilha da Magia é incrível! São mais de 40 praias, várias trilhas, morros, muita natureza e, claro, muito mar!
Em fevereiro, passei 2 semanas lá... visitei 18 praias, fiz 4 trilhas, conheci a noite de Floripa, curti Maracatu no Carnaval e fui muito bem acolhida pelos meus "hosts" :)

...Ingleses, Santinho, Canasvieiras, Barra da Lagoa, Galheta, Mole, Lagoa, Caieira, Naufragados, Armação, Matadeiro, Lagoinha do Leste, Pântano do Sul, Ribeirão da Ilha, Rio Tavares, Campeche, Ilha do Campeche, Solidão...

Com vocês, um pouquinho dos meus preferidos...

Naufragados

A praia mais ao sul da ilha. Só se chega lá fazendo uma trilha de 50min, saindo da praia da Caieira da Barra do Sul, ou de barquinho.
Adoro essas praias sem civilização, onde não chega carro nem lixo... e as poucas pessoas que vão até lá entendem as "máximas" da natureza ("não deixe nada, apenas pegadas / não tire nada, apenas fotos / não leve nada, apenas lembranças")

Fizemos a trilha, que é bem fácil, e chegamos lá no escaldante sol do meio-dia. Pra nos proteger, encontramos uma grutinha no meio das pedras... e descansamos lá, na areia branquinha, até a hora de entrar no mar.

Lagoinha do Leste

Junto com Naufragados, minha praia preferida na ilha. Lá também só chega fazendo trilha.
Eu já tinha ido pela trilha que sai da praia do Pântano do Sul, mas dessa vez resolvemos tentar chegar pelo outro lado, a trilha que sai da praia do Matadeiro. É uma trilha bem mais longa, mais cansativa... mas tem uns momentos de vista do costão, das pedras, que compensa...

A chegada na Lagoinha do Leste tem uma vista linda... aproveitamos pra "almoçar" lá em cima das pedras...


Já na praia, dá pra escolher entre o banho gelado nas águas azuis de ondas fortes ou a tranquilidade da lagoinha (que dá nome à praia)...

O banho de lagoa, quentinho, também proporciona um ponto de vista interessante da praia...


Barra da Lagoa


Lá, pra mim, a grande atração é o fato de tu poder escolher entre o banho de mar ou o banho na barra da lagoa (o "riozinho" que forma onde a lagoa chega no mar), de água verdinha, em geral mais quente que a do mar...


O ruim da Barra é que a praia já tá tomada de turistas... e de milho, queijo na brasa, vendedores de tudo que é porcaria e lixo, muito lixo...

Mole

Adoro a cor da água da Praia Mole... e a moldura de pedras e morro ao redor da praia...

É a praia certa pra ver gente... cheia de jovens, surfistas, estrangeiros... animada pelos barzinhos que vendem cerveja na beira da praia e põe a galera pra dançar na areia...
Nas duas tardes que passei lá sozinha, fiz amizades ou encontrei conhecidos...

O ponto negativo da praia Mole: o mar é violento demais pra entrar na água! A solução? Caminhar até a praia ao lado (Praia da Galheta), que é uma praia de nudismo/naturismo (não obrigatório, pode ficar de biquini lá também!). Na Galheta, a cor do mar também é linda e é bem mais tranquilo de entrar na água (há até quem entre no mar pelado)


Ribeirão da Ilha

O lugar certo pra comer ostras e mariscos em restaurantes charmosinhos na beira do mar.

Também um bom lugar pra caminhar pelo passado, de casinhas coloridas e igrejinha colonial...

Ilha do Campeche

Saindo da praia do Campeche, fomos em botes até a Ilha do Campeche, local de preservação ambiental (cuidado por guias, com limite de visitantes diários e onde até as trilhas são controladas).

A praia delá é linda! Areia branquinha, mar sem ondas ultra-transparente, muitos peixinhos (a gente colocava óculos de natação e observava os peixinhos embaixo d'água)

Fizemos uma das trilhas, pra conhecer o lado leste da ilha (que só pode ir com guia)... a paisagem de verde, pedras e mar azul era linda:


Lagoa da Conceição

Há quem diga que a Lagoa é o coração de Floripa.

Com certeza é uma das noites mais animadas da ilha (foi lá que nos divertimos seguindo o grupo de maracatu, lá que tomamos cerveja na beira da lagoa e lá que saimos pra dançar forró)

Também é o reduto de hippies e artesãos que vendem seus artigos em uma feirinha no centrinho da Lagoa...
E, saindo do centrinho, também é possível fazer um passeio de barco pelo canto da lagoa (e até parar em algum dos píers pra, quem sabe, um tiragosto ou uma cervejinha na beira da lagoa)


Com certeza isso é só um pouquinho do que Floripa tem pra oferecer... mais uma vez fui pra lá e me maravilhei com as belezas da ilha... quem sabe eu ainda vou morar lá? ;)

Viagem de Família

Pra terminar o ano, programamos uma viagem de família... papai, mamãe, titia e maninha, 3000km, 3 países...

1a parada: La Paloma, Uruguay
Eles vieram até o litoral uruguaio me encontrar. Aí fomos a La Paloma que, de acordo com meus amigos uruguaios, é a praia "mais família".
Uma casa charmosa, caminhadas na praia, chimarrão, frescobol, um passeio por La Pedrera e Costa Azul, várias partidas de canastra e um típico "asado uruguayo" na noite de Natal... elementos que alegraram nossa estadia nessa praia de águas frias ;)



"y yo ya no estoy aquí,
yo voy camino a La Paloma"


2a parada: Punta del Este e Piriápolis, Uruguay
O dia em Punta foi de chuva, então o programa mais divertido foi conhecer um Cassino e passear de carro pra ver as mansões da cidade mais "fashion" do litoral uruguaio.
No caminho pra Montevideo, passamos por Piriápolis, onde tomamos um café, comemos alfajores e colocamos os pés na água.



"la nuestra es agua de río mezclada con mar"

3a parada: Montevideo
O "dia e meio" na minha cidade teve:
...caminhada, pôr-do-sol e chimarrão na rambla
...passeio pela Ciudad Vieja, o porto, a Plaza Independencia
...fotos do típico cartão postal "puerta de la ciudadela + artigas + aquele edificio na frente da praça"
...tarde no prado, lagarteando na grama do parque
...um passeio pela noite montevideana (na boemia da ciudad vieja)
...uma passada rápida na feirinha que vende de tomates a coelhos, de camisetas a cuias
...churros e "banho de mar" na praia do Rio da Prata




"Al sur del sur hay un sitio (...)
el viento cruza la calle buscando abrigo"

4a parada: Colonia, Uruguay
Andar no centro histórico de Colonia é como se transportar a séculos passados...
As casinhas, os paralelepípedos das ruas, a praça principal, as lâmpadas antigas... tudo parece guardar segredos e mistérios do passado
A muralha, os canhões, o portão, a plaza de toros escondem as lutas entre portugueses e espanhóis que tanto estudamos no colégio
A rambla que acompanha o rio e a luz do pôr-do-sol acolhem e iluminam os turistas que vêm conhecer a cidade
E o passeio noturno pela parte antiga revela um lado ainda mais belo e charmoso dessa cidadezinha



5a parada: Santo Tome, Argentina
12 horas de viagem (em um carro com 5 pessoas), uma tentativa de cruzar uma fronteira que está bloqueada há 3 anos, quase 2 horas de fila na aduana, farofada no carro (sanduiches, bananas, refrigerante, alfajores, café), casas de câmbio fechadas por causa da "siesta", posto de gasolina que não aceita cartão nem dólares, algumas paradas para esticar as pernas, outras pra perguntar o caminho, várias tentativas frustradas de encontrar um hotel...
...mas um pôr-do-sol na estrada de tirar o fôlego; uma paisagem de campo, céu alaranjado e nuvens rosas depois de um dia cinza...
...e quando finalmente encontramos um hotel, tomamos vinho argentino e comemos empanadas na piscina!

"Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma"


6a parada: Puerto Iguazu
Com certeza o auge da viagem... e a parada mais esperada também... conhecer as cataratas foi mesmo indescritivel!

* Puerto Iguazu
Uma cidadezinha pequena, totalmente focada no turismo... muitos hoteis, restaurantes, lojinhas... e um calor e uma umidade que deixavam a sensação de que estávamos sempre suando (até debaixo do chuveiro)

"lo que mata es la humedad
y hoy hace un tiempo, un tiempo de mierda"



* Itaipu e o lado brasileiro
Visitamos a maior usina hidroelétrica do mundo em geração de energia... fronteira entre Brasil e Paraguay, eletrecidade que alimenta 20% da energia brasileira e 90% da paraguaia.
Se na usina a quantidade de água já impressionou, que falar das cataratas...



O lado brasileiro oferece uma vista panorâmica das quedas (já que a maioria delas se encontra no territorio argentino). Passear pelo caminho do lado brasileiro, que vai costeando o rio, oferece diversas vistas lindíssimas das cataratas... a cada passo tínhamos que parar pra tirar mais fotos, porque a cada passo a vista ficava mais linda...
E no fim, fomos numa pontezinha que adentra o rio e coloca os visitantes em frente às cataratas... muito bom deixar que os respingos das quedas molhassem a gente!



Além das cataratas, os quatis dão um show a parte... eles estão por todo o parque e chegam bem pertinho dos visitantes...





* O lado argentino
Se o lado brasileiro é lindo, o argentino é "hermoso"! ;) Gostei ainda mais!
Se no lado brasileiro a vista panoramica encanta, no lado argentino a proximidade das quedas impressiona!
São vários caminhos diferentes...
... o "circuito inferior", que permite chegar "por baixo" nas cachoeiras... dá pra chegar pertinho, respirar, sentir, molhar...



... o "circuito superior"", que passa por cima das cataratas e oferece uma visão diferente: dá pra ver a água caindo lá embaixo e os diversos arco-iris que se formam...

... e, o melhor de todos, o passeio da "garganta do diabo" que, depois de mais de 1km cruzando o rio, chega até o meio dele, na boca do cânion, onde fica a maior das cataratas - a "Garganta do Diabo". Um "mirador" te leva na "epiglote" da garganta... tu fica em cima da queda, olhado para o maior volume de água que já vi caindo... e a força da queda levanta uma fumaça branca de água que faz "chover pra cima". É lindo, imponente, ensurdecedor... é uma quantidade incrível de água, é uma beleza indescritível...



* O lado argentino, versão 2
O mais legal do lado argentino é que, como o parque é enorme e tem muitas trilhas, caminhos e opções pra desfrutar das cataratas, 1 dia não é suficiente pra ver tudo... então eles te dão a opção de carimbar teu ingresso na saída e voltar no dia seguinte pela metade do preço. E eu e a Débora fomos!
... Fizemos a "trilha do Macuco"... mais de 7km (ida e volta) pela selva. E o prêmio pra quem vai até o fim: banho de cachoeira!!!



... Comemos nossos sanduiches num lugar com uma vista linda das cataratas
(pão de sanduiche: 3 reais; queijo em fatias: 2,50; entrada no parque com ingresso carimbado: 7,50; almoçar com vista pras cataratas: não tem preço!)
... Tiramos um cochilo deitadas na grama do parque... e, ao acordar, vimos um tucano igual aqueles de desenho animado!
... e fizemos um passeio de lancha que vai embaixo das cataratas!! Sim, entramos embaixo dágua!! Ver as quedas de baixo e tomar banho de catarata é o máximo!!



"Com certeza, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira"


* A triple fronteira
Estávamos no ponto onde os rios Paraná e Iguaçu dividem Brasil, Argentina e Paraguai. Em cada um dos lados há um marco da "triple fronteira" e vista para os 2 outros lados.
Conhecemos o brasileiro e o argentino.
"Yo no sé de dónde soy,
mi casa está en la frontera

Y las fronteras se mueven,
como las banderas."



* Ciudad del Este
Como eu e a Dé optamos por um 2o dia no lado argentino das cataratas, não fomos ao Paraguay. Mas minha mãe e minha tia foram, se divertiram fazendo compras e voltaram com algumas aquisições paraguaias (para que? ;) hehe)

7a parada: Três de Maio e Ijuí
Na volta, por 3 minutos perdemos a balsa que nos levaria da Argentina de volta ao Brasil... e tivemos que esperar por 3 horas até a próxima num lugar no meio do nada, nas margens do Rio Uruguay. Pelo menos tínhamos tererê, empanadas e vista para o rio...

Já no Brasil, passamos em Três de Maio pra visitar meus tios... e dormimos em Ijuí, na casa da minha avó.


E no dia seguinte, viemos a São Leopoldo... não sem aventura, já que o temporal daquela segunda-feira lavou as encostas dos morros, bloqueou a pista em vários lugares, nos obrigou a pegar uns desvios que parecia que estávamos dirigindo dentro de um rio (e, depois que chegamos em casa sãos e salvos, descobrimos que foi essa mesma chuva que arrastou a ponte do Rio Jacuí e que a estrada pela qual fomos foi bloqueada logo depois que passamos)

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Meus lugares preferidos...

Em cada cidade que morei, encontrei alguns cantinhos que gostei, que se transformaram em meus lugares preferidos...

Em Santa Fé (na Argentina):
* o telhado da minha casa. Eu subia lá em cima e ficava olhando os telhados das casas vizinhas e cantando "Telhados de Santa Fé", em uma adaptação minha de "Telhados de Paris"... também pendurava roupas pra secar e assistia o pôr-do-sol lá de cima
* o caminho no meio da boulevar que ia da 9 de Julio até a costanera... era um canteiro com árvores no meio da avenida... e ia dar no rio...
* a costanera, calçadão na beira do Rio Paraná, onde eu sentava pra tomar mate com o pessoal e caminhava com minhas "maninhas"

Em Córdoba (tambem na Argentina):
* as ruas de Nueva Cordoba - principalmente na primavera, quando todo mundo ficava na calçada até tarde, tocando violão, cantando, tomando cerveja... e os bares e danceterias sempre cheios até o amanhecer
* o parque, onde ia tomar mates, caminhar ao redor do lago, sentar na grama...

Em Porto Alegre:
* a beira do Guaíba perto do Gasômetro, onde andávamos de bicicleta e depois sentávamos pro chimarrão
* a Redenção, onde caminhávamos ao redor do lago, passeávamos nos fins de semana e, claro, também tomávamos chimarrão
* a Rua da República, por onde caminhava dentro do "tunel" de árvores que cobre a rua...

Em São Paulo:
* o Ibirapuera... pedaço de calma no meio da confusão da cidade... e onde eu assistia shows, teatros, ia a festivais... onde sempre tinha algo acontecendo
* o parque da Aclimação, onde caminhava no final da tarde, depois de um dia inteiro sentada em frente ao computador
* o café no centro cultural da Gazeta, onde eu sentava em uma mesa na frente da janela e tomava café enquanto via as pessoas passarem apressadas pela Avenida Paulista
* a feira de todas as sextas de manhã, onde comprávamos frutas e verduras pra semana inteira e almoçávamos tempura e tapioca de morango com leite condensado

Em Praga:
* as paredes de Visehrad, a fortaleza perto do rio, onde eu sentava e ficava olhando pro castelo, as casinhas medievais que ficavam embaixo, nas ruazinhas que cruzavam por ali... e onde eu sentava na grama e aproveitava o fato de, por mais que fosse um lugar super bonito, os turistas ainda não tinham descoberto
* Haje - o bosque perto da minha casa, onde eu caminhava, pisava as folhas de outono e até fui colher cogumelos!
* o lago perto de casa, onde eu fazia minhas caminhadas de fim de semana... e onde em cada estação do ano, eu observava uma paisagem diferente

E aqui em Budapeste:
* o tunel que atravessa o morro onde fica o castelo... onde eu subo e sento no topo do tunel, admirando a vista da Ponte das Correntes, o Danúbio e a catedral ao fundo
* a Ilha Margit no verão... onde vou caminhar, sentar na grama, assistir as águas dançantes do chafariz...
* a rua onde fica a "minha" biblioteca... ruazinha charmosa de paralelepípedos que no outono tinha árvores amarelinhas e agora que é verão tem barzinhos e cafés com charmosas mesinhas nas ruas... andando por essa rua cruzo uma praça com um chafariz no meio, vejo uma igrejinha... adoro a calma e tranquilidade da rua... e a minha biblioteca também é legal! Tem livros em inglês e até espanhol e português!
* no inverno, o Szimpla, bar alternativo e underground, onde a gente sentava pra tomar chá indiano com especiarias e leite
* e no verão, Godor, o bar que coloca mesas na rua e a praça fica lotada de gente conversando e tomando cerveja ao ar livre... até altas horas da madrugada!

Em cada cidade encontrei meus cantinhos, meus pedaços de cidade que fazem eu me sentir em casa... e assim, me sinto em casa onde quer que eu esteja! :)

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Que chique!


Nos dias que passei no Brasil, ouvi várias vezes “que chique” vindo de pessoas que exclamavam isso ao ouvir minhas histórias sobre meu trabalho e minhas viagens...
Tenho dois comentários a esse respeito:
1 - Viajar bastante pode ser muito interessante, legal... mas do jeito que eu viajo, definitivamente não é chique!!!
Adoro meu trabalho... adoro o fato de que eu trabalho com gente super variada de diversos países... adoro as viagens... conhecer pessoas novas, lugares novos... adoro tirar fotos, aprender palavras aleatórias em idiomas novos, comer comidas que eu não comeria em casa, sair em lugares diferentes...
Mas odeio ter que arrumar e desarrumar a mala cada semana, odeio as noites mal dormidas em trens e ônibus, odeio as roupas sujas cada vez que eu volto pra casa, odeio as empresas de avião que perdem e estragam minhas malas...
Contar os centavos, economizar a todo custo (nem que isso signifique viajar 3 dias até chegar ao destino final) pode ser desafiador... mas não é chique!
E as situações bizarras que passo por não entender o idioma, as vezes que ficam me mandando de um lado a outro e ninguém me dá a informação certa, o fato de que qualquer coisa estúpida que eu preciso fazer leva pelo menos o dobro do tempo que levaria no Brasil, simplesmente por eu não entender o idioma... tudo isso pode render boas histórias pra contar e dar risada depois... mas não é chique!
E não se engane... dormir em sofá, saco de dormir, chão, dividindo cama... cansa! Tenho saudades da minha cama muitas vezes!
E estar em um lugar novo, com tanta gente diferente... também significa que eu não conheço de verdade ninguém... aí quando dá vontade de sair, de simplesmente sentar pra conversar com alguém que eu conheço e me entende... não tem!!! Aí ou eu fico sozinha em casa, ou eu vou pra um bar aleatório e faço amigos novos (já tentei as duas opções... nenhuma delas é a mesma coisa que ligar pra um amigão de anos e dizer “vem aqui pra casa”)
Aliás, essa minha solidão dos últimos dias (meus companheiros de apartamento não estão em Budapeste, então passei a semana sozinha) tem me feito conversar um monte com estranhos... dos estudantes de intercâmbio que conheci em um bar em Praga, o guri que veio do meu lado no ônibus de Praga pra Budapeste (e eu puxei conversa perguntando se ele era hungaro, se morava em Budapeste, o que fazia, etc... nada de muito interessante) até a mulher que, no tram, veio conversar comigo em húngaro e eu fiz cara de quem entendeu e sorri pra ela... (acho que ela se deu conta de que eu não entendia coisa nenhuma, mas... :P)
E o comentário numero 2 é:
Ninguém parece estar feliz onde está... ninguém acha a sua cidade e seu país chique... Brasileiros: os europeus acham chiquérrimo o fato de termos árvores de BANANA na rua... nadar no Oceâno Atlântico, então... muito chique! Qualquer praia da Croácia (destino turístico comum dos europeus do leste) fica no chinelo se comparada com o Rio de Janeiro...
Pra eles, passear em castelos não é nada demais... as luzes das cidades, a ponte iluminada de noite, o Danúbio... nada diso é tão chique quanto ir ao Brasil, subir no Cristo, ver macacos :P... isso sim é que é exótico e... chique!!
Então não se iludam, meus amigos que acham que os países onde estou morando são chiques... os europeus acham vocês chiques! E, se ninguém tá feliz onde está, que tal propor uma troca de países por uns tempos? ;)
E aos que acham minhas viagens chiques... venham viajar comigo!! Tô querendo companhia mesmo!! J

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Porto Alegre também tem praia

Nesses dias que estive em Porto Alegre, fui com minha familia passear em Ipanema...

Não dá pra tomar banho e era muito frio pra banho de sol, mas é muito legal pra caminhar, tomar chimarrão... e admirar a paisagem com cara de praia, mesmo sendo na cidade... :)

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Salvador...

Eu tava com uma saudade de praia... queria tomar banho de mar, queria a sensação de sal e areia no corpo, queria o cabelo bagunçado com a brisa do mar... queria férias de verdade!! Pra isso, fui passar 5 dias em Salvador :D

E levei comigo 1 tcheca, 1 eslovaca e 1 polonesa (Petra, Tina e Anula)... pra elas conhecerem um pouquinho mais do Brasil... daquele Brasil que não tá nos cartões postais ou nos noticiários que elas têm lá... pra elas viverem cultura brasileira, pra experimentarem vida de brasileiro e não de turista gringo no Brasil...

Dia 1 - Ondina-Barra e Pelô
Depois de 1h de ônibus do aeroporto até a cidade, deixamos as malas na casa da Pat (da AIESEC Salvador) e fomos caminhar... de Ondina até a Barra... com muitas fotos no caminho


Açaí com cupuaçu, farol da barra, fim de tarde sentadas atrás do farol (não teve por do sol por causa das nuvens), caminhada até o Porto da Barra, colocar os pés no mar...


Aí subimos pro Pelourinho... era terça-feira, dia de "terça da bença", quando o Terreiro de Jesus se enche de barraquinhas vendendo acarajé e todas as "roskas" de frutas das mais variadas... além de ter palco com atrações musicais...


Caminhada pelas ladeiras do pelô, acarajé com vatapá e caruru, "roskas" (caipirinha) de acerola, caju, maracujá e umbu-cajá... uma passadinha por um sambão e terminar a noite comendo sorvete de graviola e cupuaçu no alto do Elevador Lacerda

Dia 2 - Praia, Mercado Modelo, Bonfim e Ribeira
Começamos no Porto da Barra, onde aproveitamos a praia até começar a chuva... (a Petra e o Felipe até entraram na água)... aí subimos a ladeira da Barra até o Campo Grande. Lá, tomamos água de coco enquanto conversávamos sentadas na praça.


De tarde, um passeio pelo Mercado Modelo, perguntando preços e pechinchando... uma passadinha pelo subsolo do mercado onde os escravos eram "guardados" na época colonial... 


e daí subir o Elevador Lacerda pra sentar lá em cima e comer pinha, goiaba, doce de leite e tomar suco de cajá e cupuaçu


Depois, pegar o ônibus até o Bonfim... entrar na igreja, comprar fitinhas... e caminhar pela orla até a Ribeira, onde, depois de provar todos os sabores mais diferentes, escolher 2 e tomar um sorvete gigante na sorveteria mais famosa da cidade

De lá, pegar um ônibus que cruzou toda a cidade pra chegar até a Dinha, lugar ideal pra sentar com os amigos, jogar conversa fora e, claro, comer o acarajé mais famoso de Salvador (no meu caso, acompanhado de um suco de cacau com leite) - e foi aí que as gurias descobriram que cacau é uma fruta!

Dia 3 - Itaparica
Taí um lugar que eu ainda não conhecia e queria muito visitar... 

Pegamos a lancha em direção à ilha, coom um tempo meio feio e fechado... depois de uns 40min sacolejando com as ondas, chegamos a Itaparica. Fomos até a casa da tia do Felipe (foi ele que nos levou pra lá) e de lá rumamos para a praia (não sem antes passar pela Bica e tomar a famosa "água fina, que faz velha virar menina")


A praia tava deserta... e a maré baixa desenhava pedaços de azul no meio dos bancos de areia... e o vento que levantava vestidos e cangas fazia a praia parecer cenário de filme, daqueles que os personagens-desbravadores caminham vencendo o vento, com lenços esvoaçantes...


Apesar do clima não ser muito convidativo, o banho de mar tava muito bom! Só era preciso tomar o cuidado de deixar as roupas em um lugar não muito próximo da água, já que a maré subia rápido e logo logo o lugar que antes parecia seguro, já estava debaixo dágua...


Caminhar na praia, catar conchinhas, andar ao pôr-do-sol e sentar pra ver o céu colorir todo o cenário...

e depois voltar pra casa da tia do Felipe, pra comer siri (sim! o bicho inteiro! imagina a cara das gringas quando olharam pros sirizinhos observando-as de dentro da panela) e mariscada


Ao anoitecer, pegar o ferry boat de volta pra Salvador, comendo cocada de maracujá, banana e goiaba no caminho... e aí rumar pra Barra, pra aproveitar a noite...

O barzinho tinha música ao vivo, caipirinha, suco de umbu... também tinha uma mesa do lado comemorando aniversário - e nos convidando pro bolo! (cantamos parabéns em tcheco, polones e "gauches" pra aniversariante) Também dava pra pedir música, cantar junto e até fazer uma canja no palco (não nós, mas teve um cara que foi tocar uma lá...) 

Me senti muito em casa... cantando música brasileira, na beira da praia, tomando caipirinha com vista pro Farol da Barra iluminado... e vendo o pessoal interagir no bar, a cantora tocando nossos pedidos, o gerente deixando a gente entrar de graça (sem pagar couver) porque negociamos com ele... me senti muito "local", quase baiana ;)


Dia 4 - Praia da Paciência e Passar a Tarde em Itapuã
Sol! Caminhar de "casa" até onde as gurias tavam... como o dia tava bonito e o sol emoldurava o mar e os coqueiros formando as fotos típicas de cartão postal, resolvemos ir pra praia... Praia da Paciência!
Fotos, banho em uma piscina que se formou no meio das pedras... nos despedimos da Tina, que ia embora antes de nós, e fomos pra Itapuã


Passamos a tarde em Itapuã... caminhada na areia da praia, caipirinha a 2 reais... 

Ouvimos o mar de Itapuã, tiramos fotos, entramos na água... 


e quando o sol que ardia em Itapuã resolveu baixar e mergulhar no horizonte... falamos de amor em Itapuã... ;)


Na hora da fome, caldo de sururu, carne de sol com farofa e mais caipirinha... e rumamos mais uma vez para o Pelô!

Compra de lembrancinhas, comer tapioca e tomar suco de graviola... loja de intrumentos musicais: pandeiro, cabuletê, berimbau... o vendedor fez um sambinha pra gente... e na rua os meninos também batucavam... subimos e descemos ladeiras até as gurias estarem satisfeitas com os presentinhos que compraram...


Dia 5 - Mais uma vez Itaparica
Como o dia tava mais bonito e a previsão era de sol, pegamos a lancha pra ilha mais uma vez... dessa vez só eu e a Anula, já que a Petra também foi embora antes de nós...

Chegada no municipio de Vera Cruz (a ilha tem 2 municipios: Vera Cruz e Itaparica... e várias praias em cada um), kombi até a entrada pras praias, caminhada até Ponta de Areia... e uma visão de paraíso...
Areias brancas, mar azulzinho, calmo, sem ondas... coqueiros, sol, ceu azul... sorria! sim... essa é a Bahia! :)

Banho de mar, abará, água de coco... nadar até não dar pé, lá onde ficam os barquinhos... banho de sol, caminhada... andar pelos bancos de areia e as piscinas de água do mar... barquinhos na praia, junto com meninos que treinam acrobacias de capoeira... cadeiras de palha, rede... sentar embaixo do guarda sol de palha, com os pés na areia branquinha e vista pro mar...


Mais banho de mar, mais água de coco... deitar na areia e deixar a tarde passar... e pra terminar nossas férias em Salvador, um sol alaranjado-rosa que mergulhou no mar...

Última noite em Salvador, mais uma vez na Dinha... as palavras da Anula: "vou sentir saudade desse caos" Eu também!

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