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Re-começo

Quando me mudei pra SP, um amigo perguntou:

- Então tu não volta mais pra São Leopoldo?
- Ah, pra visitar eu volto, afinal meus pais ainda moram aqui... Mas pra morar não volto mais...

E eis que aqui estou, de volta!

Um ciclo se fechou...
Que venha um novo ciclo
Que retorne Saturno
Que comece a nova era...

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"Modo despedida"

Mais uma vez estou de mudança, mais uma vez vou embora, mais uma vez despedidas...

E mais uma vez vejo como é interessante o momento das despedidas. Eu particularmente adoro entrar no "modo despedida"... sabe por que?

Porque é incrível como, quando as pessoas têm tempo de sobra para fazer algo, encontrar alguém, estar com um amigo, elas não o fazem... Mas na iminência da partida, quando resta pouco tempo, aí as pessoas encontram tempo!

Então aprendi a usar as despedidas como momentos para encontrar os amigos! 
Assim, revi amigos que não via há meses ou anos, só porque eu estava indo embora. Amigas com quem nunca tinha saído resolveram sair comigo, pra aproveitar "meu último final de semana na cidade". Amigos que nunca tinham me visitado, foram pela primeira vez - na minha despedida... e mesmo aqueles que eu encontrava bastante, que estavam sempre comigo, aumentaram a frequência da convivência pra aproveitar minhas últimas semanas antes de ir embora!

Pena ter que usar a despedida como desculpa para encontrar alguém que gostamos... pena ter que esperar até estar indo embora para que as pessoas tenham tempo para estar comigo... Queria não ter que ir embora para conseguir estar perto de quem eu gosto!

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A conquista do espaço...

Quando pequena, pedia um globo terrestre (como aquele da Mafalda). Nunca ganhou. Decidiu buscá-lo por conta própria...

Foram 9 anos conquistando-o; percorrendo-o; vivendo-o...

E agora volta pra casa, e o entrega a si mesma:
- Aqui está! Agora tu o tens!
Sorri, o abraça.
- E aí, que vais fazer com ele?
Mas ela ainda não sabe a resposta...


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Partida...

"Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade"

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Quais as cores do teu mundo?

Estava conversando com um amigo que me contou que é daltônico
- Sério? E quais cores tu não vê?
- Ah, tenho dificuldade com verde, vermelho, amarelo
(eu, apontando pro meu blusão vermelho) - Que cor é essa?
- É... vermelho?
- Sim (desapontada)
- 100% das pessoas pra quem eu digo que sou daltônico, apontam pra algo e perguntam a cor... 100% das vezes é vermelho...
- Ah, pensei em apontar pra grama... mas a grama tu sabe que é verde porque é grama...
- É...
- E tu vê as diferentes tonalidades de verde nas plantas?
- Sim, consigo ver tons, mesmo tendo dificuldade pra ver o verde
- Mas aí tu vê tons de cinza?
- Não, eu vejo cores... só não são as mesmas cores que as pessoas "normais"

E aí ele me deu a melhor explicação pro daltonismo:
"Sabe a impressora colorida, que tem 4 cartuchos? Quando um deles acaba, ela não deixa de imprimir... e também não imprime em tons de cinza... ela imprime igual, só que com cores meio estranhas... é assim que eu vejo, com cores 'meio estranhas'"

E foi conversando com ele que me dei conta das pequenas coisas que causam desconforto para um daltônico:
* sinaleiras horizontais - na vertical o vermelho fica em cima... mas e naquelas que estão lado a lado (e, para o meu amigo, tem "dois amarelos")?
* comprar roupa e ter que se certificar da cor, pra não errar nas combinações ("minha blusa é marrom, né, Barbara?" "sim" "e marrom e azul combinam?")
* na escola, quando a criança pinta o mastro da bandeira de verde e o verde da bandeira de marrom... e a professora diz que está "errado"
* pra identificar a bandeira de países... afinal, a bandeira do RS tem as mesmas cores da bandeira da Alemanha (já que o verde do RS é preto segundo o meu amigo)
* a mãe que, ao perguntar "que cor é essa?" e sempre ter respostas "erradas", diz "tu precisa voltar pra escolinha e aprender as cores direito" (essa é para as mães: prestem atenção nas respostas dos filhos, nem sempre eles estão "errados")

Aliás, também descobri que o daltonismo é um gene recessivo no cromossomo X - e que por isso é mais comum entre homens - e que na verdade quem transmite para o filho é a mãe (mesmo que ela não seja daltônica, se tiver um X recessivo, o filho pode ser...)

E aí fiquei pensando que talvez o vermelho que eu vejo não seja o mesmo vermelho que outros vêem... afinal, sempre apontaram pra essa cor e me disseram que era vermelho... mas ninguém nunca me descreveu como é um vermelho...

E descobri que mesmo com "cores estranhas", a percepção da "energia das cores" do meu amigo é igual à minha: "o vermelho tem uma energia mais intensa..."

Descobri que daltônicos gostam de azul, porque é uma cor que conseguem ver bem... e que "roxo", "violeta" e "lilás" são conceitos totalmente abstratos pra eles

- Qual a cor dessas flores?
- Hmm... roxas?
- Sim! Tu consegue ver o roxo?
- Não, mas flores nunca são azuis...

E percebi que daltônicos vivem normalmente...


- E quando as árvores tem folhas vermelhas, amarelas, marrons?
- Árvores tem folhas dessas cores?
- Ahhhh, que triste!!! Tu não vê as cores de outono!!


...afinal, eles sempre viram o mundo com as suas cores... e é assim que o mundo é (e quem disse que nós, "normais", vemos todas as cores que existem?)

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Ventanas...

Ventana sobre la favela

"Dentro de cada uma daquelas janelinhas tem um par de olhinhos curiosos que se pergunta o que será que tem dentro de cada outra janelinha"

***

Ventana sobre las palabras

"Brincando com as palavras descobri que "madragoa" é uma espécie que mistura alga e água-viva e que flutua nas águas límpidas do oceano Índico... E "mandrágora" é um dragão alado que lutou contra Harry Potter (ou será que foi São Jorge? É que as proparoxítonas, sempre palavras tão fortes, acabam me confundindo...)"

***

Ventana sobre un día de trabajo

"Queria chegar em casa depois de um dia infernal e ter esperando por mim não a casa suja, a pia cheia e a geladeira vazia, mas um abraço, um colo e um cafuné..."

***

Ventana sobre los sentimientos

"Todo sentimento muito grande que não cabe no peito transborda pelos olhos"

(E não seriam os olhos como aquele caninho por onde vaza a água pra pia não transbordar... que deixa vazar nossos sentimentos para que eles não transbordem o coração?)

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Máquina fotográfica da memória

Uma vez estávamos viajando com uns amigos em um lugar muito lindo. E eu tinha esquecido a máquina fotográfica. Então um amigo disse: "tira a foto com a memória"

E nos sentamos e ficamos admirando a paisagem, registrando o momento na memória...

E desde aquele dia, carrego sempre comigo minha máquina fotográfica da memória e em momentos especiais, quando estou em lugares bonitos, conscientemente digo "vou tirar uma foto com a minha máquina da memória", pra guardar aquele momento, aquela paisagem...

E o melhor das fotos da memória é que elas têm não só imagem, mas também sons, cheiros, sensações, sentimentos...

Nas fotos da memória dá pra registrar o barulho das ondas do mar que carregavam as conchinhas, o cheiro de mato daquela montanha, o vento que soprava nos cabelos, o calor dos braços que abraçavam, o amargo do mate que compartilhavamos...

...e assim, tenho uma coleção de fotos da memória... que não dá pra colocar no blog, mas que são as fotos mais bonitas de todas as minhas viagens pelo mundo ;)

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Mundo Mágico...

Quero morar em Pandora, voar em bichos alados gigantes que se conectam comigo pela minha trança, ser uma elfa, ter um amigo leão-rei-deus, entrar em terras encantadas através da porta do meu guarda-roupas e ter um vampiro apaixonado por mim...

...afnal, não é porque a gente cresce que tem que deixar de gostar de contos de fada... ;)

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Córdoba

a expectativa de voltar depois de 3 anos e meio
a familiaridade das ruas tao conhecidas
a nostalgia de ver o lugar onde eu morava, os lugares onde eu passei
a tristeza da sequidao da cidade, do parque sem grama
a saudade dos amigos que já nao estao mais por lá... que já se foram a outros lugares, seguiram suas vidas
as memórias de momentos especiais, provocadas por um reencontro
o vazio do capítulo encerrado na minha vida...
o desamparo de nao ter ninguem pra quem pedir um colo
a alegria de rever amigos queridos
a animaçao da noite de Nueva Cordoba
a intensidade das festas cordobesas
as lembranças das ruas, trajetos, lugares
a satisfaçao de ver que o estilo de vida das pessoas continua o mesmo
e a felicidade de terminar o fim de semana com bons amigos na melhor sorveteria do mundo ;)

...foi um fim de semana de muitas emoçoes...

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"Um escritor conta histórias que gostaria de ter vivido,
Histórias que imagina em momentos de frio na barriga,
Ou aquelas tao fantásticas que sonhou e que nem ele mesmo acredita que viveu"

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"Frio na barriga
Volto para um país que tanto mexeu comigo
Rever, reviver... coisas, gente, cheiros, lugares... emoções?
Buscar um pedaço do coração que deixei por lá
(estará lá ainda? e me pertencerá?)
Um encontro com o passado
Uma proposta para o futuro
Algo a ser decidido... algo a conhecer...
As luzinhas lá do outro lado do rio sorriem e piscam
Me dão as boas vindas e me avisam
Que nesse fim de semana
Algo acontecerá"

(escrito no buque, cruzando o Rio da Prata dia 22/10)

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Janela em Sarajevo

Em Sarajevo, no escritorio do MC, olhando pela janela...


...comendo burek e sentindo cheiro da chuva que cai la fora...

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Onde tu mora?

Várias vezes por semana respondo essa pergunta...
Nesse exato momento, moro em um sofá na cozinha da casa do MC da Eslovênia, em Ljubljana... mas na semana passada morei em um bangalô em um parque-reserva natural em Lisboa... Há 2 semanas, morei em Skopje em um apartamento com 2 guris de Hong Kong e uma guria da Macedonia, com quem dividi quarto... na semana anterior, tinha divivido quarto com 3 guris da Bulgária, em um apartamento onde moravam mais 2 búlgaros e 1 polonês...
Desde junho, já morei com uma indiana na Noruega, com uma alemã em uma antiga estação de trem que foi transformada em residencia de estudantes... morei no meu antigo apartamento em Praga; dividi um sofá com uma norte-americana em Rotterdam; morei em São Leopoldo, com meus pais; morei no apartamento da Débora, em Porto Alegre; morei em Salvador, com um amigo da AIESEC de lá; morei no Holliday Inn, em São Paulo, com mais 600 pessoas; morei no dormitório da universidade de Zagreb onde podia falar português com uma amiga madeirense; na Croácia morei também em uma escola primária em Rijeka e em um vilarejo perto de Zadar – ambos na costa do mar Adriático...
E em meio a todas essas andanças, moro em Budapeste, na Hungria... dividindo apartamento com um colombiano e uma polonesa. Já paguei 5 meses de aluguel... e no total estive lá mesmo por 52 dias – o equivalente a 7 semanas!!!
Nessas minhas andanças pela CEE já não sei mais o que é “morar”... em 6 meses já dormi em 30 camas diferentes, em 20 cidades, em 13 países... já dividi quarto com pessoas dos lugares mais variados, já dividi cama, já dormi em sofá, em saco de dormir, no chão...
...e já cheguei à conclusão que, onde quer que eu esteja por mais de 3 dias dormindo na mesma cama, já “moro” aí...
O mais interessante é quando a pergunta é feita em inglês: “Where do you live?” Porque se traduzido, isso fica “Onde tu VIVE?”
E pra essa pergunta posso responder...
...vivo nas ruas por onde caminho, nas cidades que exploro, nos países que visito...
...vivo nas folhas do outono que estalam sob meus pés, na neve que afunda macia deixando pegada, na areia das praias que pisei...
...vivo nos prédios históricos, nos paralelepidedos das ruas datadas de séculos passados, no badalar dos sinos das igrejas góticas...
...vivo na paisagem que vejo do alto de um morro, nas montanhas vistas da janela do avião...
...vivo no Danubio a correr, no por-do-sol no Tejo, na neve caindo sobre Ljubljana...
...vivo nos trens, nos aeroportos, nas rodoviárias, nas fronteiras, nos carimbos do meu passaporte...
...vivo nos jantares que cozinho para os amigos e na comida de seus países que eles compartilham comigo...
...vivo no chimarrão que tomamos juntos, no chá quente depois de um dia frio...
...vivo nas conversas que tenho com todas essas pessoas que encontro, nas histórias maravilhosas de suas vidas, nos seus planos para o futuro, nas suas opiniões sobre o mundo...
...vivo nas risadas compartilhadas com amigos, nos sorrisos das pessoas que cruzam meu caminho nas ruas, nos abraços de reencontro...
...vivo nas noites badaladas de festa, nos domingos preguiçosos...
...vivo em cada momento, nao importa o país, a cidade... não importa a cama onde durmo, sob qual teto me abrigo ou quem são as pessoas que vêem a minha cara de quem recém acordou... VIVO a minha aventura, as minhas viagens... vivo a Europa Centro-Oriental e esse meu ano por aqui... vivo tudo isso porque estou exatamente onde gostaria de estar em cada momento :)
(read the english version here)

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Que chique!


Nos dias que passei no Brasil, ouvi várias vezes “que chique” vindo de pessoas que exclamavam isso ao ouvir minhas histórias sobre meu trabalho e minhas viagens...
Tenho dois comentários a esse respeito:
1 - Viajar bastante pode ser muito interessante, legal... mas do jeito que eu viajo, definitivamente não é chique!!!
Adoro meu trabalho... adoro o fato de que eu trabalho com gente super variada de diversos países... adoro as viagens... conhecer pessoas novas, lugares novos... adoro tirar fotos, aprender palavras aleatórias em idiomas novos, comer comidas que eu não comeria em casa, sair em lugares diferentes...
Mas odeio ter que arrumar e desarrumar a mala cada semana, odeio as noites mal dormidas em trens e ônibus, odeio as roupas sujas cada vez que eu volto pra casa, odeio as empresas de avião que perdem e estragam minhas malas...
Contar os centavos, economizar a todo custo (nem que isso signifique viajar 3 dias até chegar ao destino final) pode ser desafiador... mas não é chique!
E as situações bizarras que passo por não entender o idioma, as vezes que ficam me mandando de um lado a outro e ninguém me dá a informação certa, o fato de que qualquer coisa estúpida que eu preciso fazer leva pelo menos o dobro do tempo que levaria no Brasil, simplesmente por eu não entender o idioma... tudo isso pode render boas histórias pra contar e dar risada depois... mas não é chique!
E não se engane... dormir em sofá, saco de dormir, chão, dividindo cama... cansa! Tenho saudades da minha cama muitas vezes!
E estar em um lugar novo, com tanta gente diferente... também significa que eu não conheço de verdade ninguém... aí quando dá vontade de sair, de simplesmente sentar pra conversar com alguém que eu conheço e me entende... não tem!!! Aí ou eu fico sozinha em casa, ou eu vou pra um bar aleatório e faço amigos novos (já tentei as duas opções... nenhuma delas é a mesma coisa que ligar pra um amigão de anos e dizer “vem aqui pra casa”)
Aliás, essa minha solidão dos últimos dias (meus companheiros de apartamento não estão em Budapeste, então passei a semana sozinha) tem me feito conversar um monte com estranhos... dos estudantes de intercâmbio que conheci em um bar em Praga, o guri que veio do meu lado no ônibus de Praga pra Budapeste (e eu puxei conversa perguntando se ele era hungaro, se morava em Budapeste, o que fazia, etc... nada de muito interessante) até a mulher que, no tram, veio conversar comigo em húngaro e eu fiz cara de quem entendeu e sorri pra ela... (acho que ela se deu conta de que eu não entendia coisa nenhuma, mas... :P)
E o comentário numero 2 é:
Ninguém parece estar feliz onde está... ninguém acha a sua cidade e seu país chique... Brasileiros: os europeus acham chiquérrimo o fato de termos árvores de BANANA na rua... nadar no Oceâno Atlântico, então... muito chique! Qualquer praia da Croácia (destino turístico comum dos europeus do leste) fica no chinelo se comparada com o Rio de Janeiro...
Pra eles, passear em castelos não é nada demais... as luzes das cidades, a ponte iluminada de noite, o Danúbio... nada diso é tão chique quanto ir ao Brasil, subir no Cristo, ver macacos :P... isso sim é que é exótico e... chique!!
Então não se iludam, meus amigos que acham que os países onde estou morando são chiques... os europeus acham vocês chiques! E, se ninguém tá feliz onde está, que tal propor uma troca de países por uns tempos? ;)
E aos que acham minhas viagens chiques... venham viajar comigo!! Tô querendo companhia mesmo!! J

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I wish you could know how it feels to run with all your heart and lose horribly...

...that is how I felt...

After not being selected for AI Director, I felt I had put all my heart and failed horribly...

... and of course this feeling is terrible... because it feels you're empty, cause you gave all your heart, you gave all yourself, you dedicated entirely to something... that didn't work out!
So the feeling is of lost, of not having a floor to step... I felt there was a big hole under my feet, and I was just falling there...
A feeling of not knowing where to go and if it's worth going... if it's worth putting all the heart again, because I may fail again... and it will hurt again...

But then, thinking about this "heart" stuff I realized I am happy that I put all my heart... because I don't like things that are partially done... I don't like living "half-heartedly"... I like to live life with intensity, putting my heart in everything I do...
It may hurt... but I'd rather put all the heart and try than think later on "what if...?"
If I wouldn't try because it may hurt, I would miss the possibility of the greatness... I would miss life!

So now, for the ones that are asking me about my next steps...

...I am searching for something that is worth putting my heart again! :)

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Once

Fui no cinema ontem ver "Once"... um musical irlandes nao-convencional que conta a historia de uma tcheca que vai pra Irlanda e conhece um cara que toca violao na rua.

Acabam se unindo pela musica e cantam juntos as musicas que formam a trilha sonora do filme, que pode ser escutada aqui.

O filme é despretensioso, simples e bonitinho... e as musicas sao gostosas de ouvir...

Quando o filme acabou, fiquei sentada no cinema até terminar de tocar a ultima musica da trilha sonora...

... e percebi o quanto me incomodam as coisas nao-vividas, nao-ditas, nao-tentadas...

Nao importa se vai dar certo ou nao... sempre vale a pena tentar...

Se tu quer, pede.
Se tu gosta, fala.
Se tu ama, te declara...
mas nao deixa morrer a possibilidade de viver uma historia linda... nao deixa passar a oportunidade... nao deixa o outro ir embora sem ter dito o que tu queria, o que tu pensava, o que tu sentia...

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Sobre a vida

"Nós vivemos dentro de um grande conto de fadas, do qual ninguém faz realmente idéia. A gente dança e brinca em um mundo cujo surgimento ninguém pode entender. Essa dança e esse brinquedo são a música da vida (...)
Imagine que, há muitos bilhões de anos, no momento em que tudo foi criado, você estivesse no umbral desse conto de fadas. E tivesse a opção de viver nesse planeta se quisesse. Não saberia quando ia viver nem quanto tempo passaria aqui, mas, fosse como fosse, seria apenas questão de alguns anos. Só saberia que, se decidisse um dia nascer neste mundo, quando chegasse a hora ou, como se diz, quando "o ciclo se completasse", teria de deixá-lo e a tudo quanto nele existe. Talvez isso o contrariasse bastante, pois muita gente acha a vida nesse grande conto de fadas tão maravilhosa que chega a ficar com lágrimas nos olhos só de pensar que isso vai acabar. Tudo aqui pode ser tão bom que dói pensar que um dia não haverá outros dias. (...)
O que você escolheria, se um poder superior lhe desse a possibilidade de escolher? (...) Você teria optado por uma vida nessa Terra? (...) Ou teria se recusado a participar deste jogo por não poder aceitar as regras? (...)
Teria optado por uma vida na Terra se soubesse que um dia seria arrancado tão subitamente daqui, talvez no momento mais feliz de sua existência? Ou será que teria agradecido e rejeitado de pronto esse jogo absurdo de "dá e toma"? (...)
Se tivesse optado por não meter o nariz nesta grande aventura, nunca saberia o que estava perdendo (...) às vezes é muito pior perder uma coisa que amamos do que nunca ter tido essa coisa. (...)"
(Jostein Gaarder - em "A Garota das Laranjas")

Qual seria a opção de vocês?

Eu, com certeza, teria optado por viver essa maravilhosa aventura... apesar de saber que tem fim... E acho que, justamente por sabermos que tem fim, que um dia seremos "arrancados" do conto de fadas é que devemos aproveitar ao máximo cada momento do nosso conto de fadas...

Quando estava na Argentina fazendo intercâmbio e sabia que viria embora poderia ter decidido não me envolver com as pessoas por medo de sofrer as perdas depois... poderia ter optado por não me entregar completamente em tudo o que fizesse para não chorar na hora de vir embora...
Mas preferi viver tudo ao máximo... aproveitar todos os dias, conhecer todas as pessoas... e depois, na hora de ir embora, é claro que chorei... mas chorei porque foi bom, porque vivi!!

Assim acho que é a vida... não vou deixar de viver, de conhecer gente, de construir coisas porque um dia vou embora... ao contrário... vou construir o máximo que puder, vivendo tudo ao máximo... Tenho medo da hora que tiver que "ir embora", mas acho que serei mais feliz nessa hora se tiver realmente VIVIDO! :)

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Despedidas...

Quantas despedidas...

Acho que a vida é sempre assim: um ir e vir... não?

Eu já fui, já voltei, já me despedi muitas vezes...

Muitos amigos vem, de visita, e depois partem...
Outros que estavam aqui por perto vão para longe, para suas viagens, suas aventuras...

Normalmente fazemos "festa de despedida"
Mas normalmente despedida dói...

Despedida das pessoas, de tudo o que construimos, de tudo o que deixaremos para trás... despedida dos momentos...

Escrevi enquanto estava na Argentina:

"Eu sei q dói. Dói deixar as coisas pra trás, dói a despedida, dói a certeza de não voltar a ver algumas pessoas, dói o “tchauzinho” na janela do ônibus..."

"Mas nao importa, eu nao mudaria isso por nada. Eu nao deixaria de amar as coisas por doer... (...) Esas dores todas não fazem com que eu queira deixar de amar tudo o que vivo... prefiro amar muito tudo e sofrer as perdas, mas aproveitar a vida ao máximo."

E no fim das contas a saudade é um sentimento bom... porque se sentimos saudades é porque foi bom, porque valeu a pena, porque vivemos intensamente...
Só sentimos saudades dos momentos bons, das pessoas que gostamos... e sentimos saudades porque os levamos no coração...

Escrevi, um dia:
"A distância afasta a gente na convivência mas não na memória e no coração"

Então, amigos que partem, amigos que estão longe...
Não importa o quão longe estejam, estão aqui pertinho: no coração ;)

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Quantas idéias são jogadas fora...

Ontem fui organizar meus papéis... todos os papéis produzidos no ano... faculdade, aiesec, anotações pessoais... tudo!

Gerei várias sacolas de lixo

Cada folha tinha algo anotado, alguma idéia rabiscada, algum principio de idéia que poderia ter sido brilhante

Várias delas foram para o lixo

Como produzimos idéias que jogamos fora...

E será que guardamos as idéias certas?

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