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Meus lugares preferidos 2

Quando morava em Budapeste escrevi um post que agora precisa ser completado... Afinal, fala dos meus lugares preferidos nas minhas cidades... e tenho mais cidades pra incluir na lista!

Aí vai o post e no final acrescento as cidades novas:

Em cada cidade que morei, encontrei alguns cantinhos que gostei, que se transformaram em meus lugares preferidos...


Em Santa Fé (na Argentina):
* o telhado da minha casa. Eu subia lá em cima e ficava olhando os telhados das casas vizinhas e cantando "Telhados de Santa Fé", em uma adaptação minha de "Telhados de Paris"... também pendurava roupas pra secar e assistia o pôr-do-sol lá de cima
* o caminho no meio da boulevar que ia da 9 de Julio até a costanera... era um canteiro com árvores no meio da avenida... e ia dar no rio...
* a costanera, calçadão na beira do Rio Paraná, onde eu sentava pra tomar mate com o pessoal e caminhava com minhas "maninhas"


Em Córdoba (tambem na Argentina):
* as ruas de Nueva Cordoba - principalmente na primavera, quando todo mundo ficava na calçada até tarde, tocando violão, cantando, tomando cerveja... e os bares e danceterias sempre cheios até o amanhecer
* o parque, onde ia tomar mates, caminhar ao redor do lago, sentar na grama...


Em Porto Alegre:
* a beira do Guaíba perto do Gasômetro, onde andávamos de bicicleta e depois sentávamos pro chimarrão
* a Redenção, onde caminhávamos ao redor do lago, passeávamos nos fins de semana e, claro, também tomávamos chimarrão
* a Rua da República, por onde caminhava dentro do "tunel" de árvores que cobre a rua...


Em São Paulo:
* o Ibirapuera... pedaço de calma no meio da confusão da cidade... e onde eu assistia shows, teatros, ia a festivais... onde sempre tinha algo acontecendo
* o parque da Aclimação, onde caminhava no final da tarde, depois de um dia inteiro sentada em frente ao computador
* o café no centro cultural da Gazeta, onde eu sentava em uma mesa na frente da janela e tomava café enquanto via as pessoas passarem apressadas pela Avenida Paulista
* a feira de todas as sextas de manhã, onde comprávamos frutas e verduras pra semana inteira e almoçávamos tempura e tapioca de morango com leite condensado


Em Praga:
* as paredes de Visehrad, a fortaleza perto do rio, onde eu sentava e ficava olhando pro castelo, as casinhas medievais que ficavam embaixo, nas ruazinhas que cruzavam por ali... e onde eu sentava na grama e aproveitava o fato de, por mais que fosse um lugar super bonito, os turistas ainda não tinham descoberto
* Haje - o bosque perto da minha casa, onde eu caminhava, pisava as folhas de outono e até fui colher cogumelos!
* o lago perto de casa, onde eu fazia minhas caminhadas de fim de semana... e onde em cada estação do ano, eu observava uma paisagem diferente


E aqui em Budapeste:
* o tunel que atravessa o morro onde fica o castelo... onde eu subo e sento no topo do tunel, admirando a vista da Ponte das Correntes, o Danúbio e a catedral ao fundo
* a Ilha Margit no verão... onde vou caminhar, sentar na grama, assistir as águas dançantes do chafariz...
* a rua onde fica a "minha" biblioteca... ruazinha charmosa de paralelepípedos que no outono tinha árvores amarelinhas e agora que é verão tem barzinhos e cafés com charmosas mesinhas nas ruas... andando por essa rua cruzo uma praça com um chafariz no meio, vejo uma igrejinha... adoro a calma e tranquilidade da rua... e a minha biblioteca também é legal! Tem livros em inglês e até espanhol e português!
* no inverno, o Szimpla, bar alternativo e underground, onde a gente sentava pra tomar chá indiano com especiarias e leite
* e no verão, Godor, o bar que coloca mesas na rua e a praça fica lotada de gente conversando e tomando cerveja ao ar livre... até altas horas da madrugada!

E as cidades novas:


Em Montevideo (no Uruguay):
* a rambla, onde eu pedalava, assistia o por do sol, tomava mate
* o Teatro de Verano, um teatro lindo, ao ar livre, pertinho do rio... onde assisti espetáculos lindos e conheci mais da cultura uruguaya
* o Pony Pisador da Ciudad Vieja onde toda quinta feira tinha rock ao vivo e de graça

Em San Jose (na Costa Rica):
Confesso que em San Jose foi difícil encontrar lugares dignos de entrar nessa lista, mas vou tentar:
* o Jazz Cafe, barzinho onde fui 2 vezes assistir shows da minha banda tica preferida: Malpais
* Lubnan, o restaurante libanês onde comemoramos vários aniversários e despedidas com os trainees
* o Museo de Arte y Diseño Contemporaneo, que visitei mais de uma vez, com o "Art City Tour"
* o "MC Donalds en frente al Teatro Nacional", porque era onde nos encontrávamos toda 5a feira para o nosso happy hour semanal... e de lá saíamos cada semana para um bar diferente...
E na Costa Rica como um todo, meus lugares preferidos seriam:
* Puerto Viejo e toda a cultura de Limón
* Playa Blanca - a praia bonita mais perto de San Jose, onde fui várias vezes pra passar o dia nos finais de semana

Em Salvador:
* o Porto da Barra - onde eu assistia o por do sol tomando mate, nadava até os barquinhos na água transparente e relaxava depois de correr no fim do dia
* a orla - e passar de ônibus vendo aquele marzão azul de manhã cedo, indo pro trabalho
* aquele lugarzinho atrás do Farol da Barra onde a galera senta pra assistir o por do sol (e depois eu ia comer uma tigela de cupuaçu com morango)
* a Dinha, onde sentava nas mesinhas de plástico ao ar livre, tomava cerveja e comia (ou não) acarajé... e onde eu SEMPRE encontrava conhecidos
* o Encontro de Compositores. Tá, não é um lugar, mas era onde eu estava toda última 5a feira do mês!
* a praia do Buracão - opção um pouco mais tranquila pra curtir a praia num domingo à tarde (quando a Barra e o Porto são insuportáveis)
* a Borracharia, melhor lugar pra sair à noite em Salvador!

E em Curitiba:
* o Botânico - pertinho de casa, tranquilo, cheio de grama pra sentar e tomar mate...
* a ciclovia que vai do Passeio Público até o São Lourenço - trecho mais bonito da ciclovia com certeza! Muito verde... árvores, água, sombra... e poucos carros
* o Largo da Ordem com suas casinhas coloridas, por onde passo todas as manhãs indo pro trabalho... e onde várias vezes paro pra tomar um chopinho à noite, antes de ir embora
...e como ainda tenho muito pra explorar por aqui, essa lista pode aumentar! :)

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Novos Horizontes

Hoje lembrei-me do dia, mais ou menos 6 anos atrás, quando fazia meu último passeio de bicicleta antes de embarcar para minha primeira aventura internacional: estudar na Argentina.

Lembro do vento batendo na cara e aqueles pensamentos: "já pensou? nos próximos 5 meses estarei morando num país desconhecido, com pessoas desconhecidas, que falam um idioma que eu não entendo... como será? como será minha casa, a rua por onde vou caminhar todos os dias até a universidade, os colegas? será que vou aprender o idioma?"

Lembro, no ônibus, do frio na barriga quando cruzamos o túnel que atravessa por baixo do Rio Paraná e é a porta de entrada para minha nova cidade: Santa Fé... lembro de olhar pela janela pensando "bem vinda, essa é tua nova casa!"... e lembro de tudo o que isso significava: que eu tinha que construir minha vida ali, que começaria do zero, que não tinha nada e que tudo era novo e possível... que eu podia me maravilhar, me entristecer, me entediar, me surpreender... e que tudo isso só dependia de mim...

E aquela foi só a primeira de muitas aventuras... e eu amei cada uma delas...

Santa Fé e Cordoba fizeram meu coração se tornar metade argentino... e me fizeram ver o quanto era difícil deixar tudo, depois de ter construído a minha vida lá... e eu tive que aprender que, mesmo que eu fosse embora, Córdoba continuaria lá... mas que, segundo um amigo, "não continuaria igual"

em Praga, lembro do dia que cheguei, quando saí do metrô para a minha primeira impressão da cidade: aqueles prédios históricos, as torres medievais... e eu boba, olhando pra todos os lados sem conseguir acreditar que eu ia morar naquela cidade incrivelmente linda! Em Praga amei os castelos que me faziam sentir num conto de fadas... e foi lá que eu aprendi a apreciar cada estação do ano com suas cores, seus cheiros...

em Budapeste me tornei uma trota-mundos e levei nos olhos as belezas de cada canto por onde passei... lá aprendi a mudança, o desapego... aprendi a viver em qualquer lugar, a me acostumar com as mais diversas situações, a resolver os mais variados problemas... me maravilhei milhares de vezes com cada novo país, cada nova cidade, cada palavra em uma língua nova que aprendi a pronunciar... admirei a história de cada um deles e de cada uma das pessoas compartilhou comigo sua história, seus hábitos, sua vida... Lá não vivi somente a minha vida, vivi a de diversas pessoas com as quais interagi...

Montevideo me reconectou ao meu gauchismo, me fez perceber o quanto eu pertenço a esse lugar do mundo (o sul, os pampas)... Lembro também da chegada ao país vizinho, quando acordei de manhã e, ao abrir a cortina do ônibus, vi um nascer do sol nos campos emoldurados pelas araucárias... lembro da minha recepção com um mate amargo... lembro de passar pela rambla e pensar mais uma vez "bem vinda à tua nova cidade!"

E agora, na véspera de embarcar para mais uma aventura, o sexto país onde vou morar, alguns dos sentimentos que tive naquele dia, 6 anos atrás, já parecem bobos... já não tenho medo do inesperado, já não me preocupa o idioma, já sei que vou me adaptar, que vou superar quaisquer obstáculos...

Mas ainda sinto aquele friozinho na barriga das possibilidades que se abrem... amanhã, quando chegar na Costa Rica, mais uma vez vou dizer a mim mesma "bem vinda à tua nova casa!"... e já sei que mais uma vez terei que começar do zero, construir minha história... mais uma vez serei a Bárbara sem passado conhecido, que tem mil possibilidades de criar seu futuro... e já sei que, mais uma vez, depende só de mim como será minha vida por lá...

E justamente por isso, vou me permitir maravilhar-me com as coisas pequenas, com cada nova descoberta... vou me deslumbrar com cada nova paisagem, vou me alegrar com as novas cores, os novos gostos, os novos sons... vou aprender as diferenças, fazer amizades, conhecer lugares... e mais uma vez, vou construir algo tão legal que vou acabar deixando um pedacinho de mim por lá...

...e que venha a Costa Rica! :)

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Viagem de Família

Pra terminar o ano, programamos uma viagem de família... papai, mamãe, titia e maninha, 3000km, 3 países...

1a parada: La Paloma, Uruguay
Eles vieram até o litoral uruguaio me encontrar. Aí fomos a La Paloma que, de acordo com meus amigos uruguaios, é a praia "mais família".
Uma casa charmosa, caminhadas na praia, chimarrão, frescobol, um passeio por La Pedrera e Costa Azul, várias partidas de canastra e um típico "asado uruguayo" na noite de Natal... elementos que alegraram nossa estadia nessa praia de águas frias ;)



"y yo ya no estoy aquí,
yo voy camino a La Paloma"


2a parada: Punta del Este e Piriápolis, Uruguay
O dia em Punta foi de chuva, então o programa mais divertido foi conhecer um Cassino e passear de carro pra ver as mansões da cidade mais "fashion" do litoral uruguaio.
No caminho pra Montevideo, passamos por Piriápolis, onde tomamos um café, comemos alfajores e colocamos os pés na água.



"la nuestra es agua de río mezclada con mar"

3a parada: Montevideo
O "dia e meio" na minha cidade teve:
...caminhada, pôr-do-sol e chimarrão na rambla
...passeio pela Ciudad Vieja, o porto, a Plaza Independencia
...fotos do típico cartão postal "puerta de la ciudadela + artigas + aquele edificio na frente da praça"
...tarde no prado, lagarteando na grama do parque
...um passeio pela noite montevideana (na boemia da ciudad vieja)
...uma passada rápida na feirinha que vende de tomates a coelhos, de camisetas a cuias
...churros e "banho de mar" na praia do Rio da Prata




"Al sur del sur hay un sitio (...)
el viento cruza la calle buscando abrigo"

4a parada: Colonia, Uruguay
Andar no centro histórico de Colonia é como se transportar a séculos passados...
As casinhas, os paralelepípedos das ruas, a praça principal, as lâmpadas antigas... tudo parece guardar segredos e mistérios do passado
A muralha, os canhões, o portão, a plaza de toros escondem as lutas entre portugueses e espanhóis que tanto estudamos no colégio
A rambla que acompanha o rio e a luz do pôr-do-sol acolhem e iluminam os turistas que vêm conhecer a cidade
E o passeio noturno pela parte antiga revela um lado ainda mais belo e charmoso dessa cidadezinha



5a parada: Santo Tome, Argentina
12 horas de viagem (em um carro com 5 pessoas), uma tentativa de cruzar uma fronteira que está bloqueada há 3 anos, quase 2 horas de fila na aduana, farofada no carro (sanduiches, bananas, refrigerante, alfajores, café), casas de câmbio fechadas por causa da "siesta", posto de gasolina que não aceita cartão nem dólares, algumas paradas para esticar as pernas, outras pra perguntar o caminho, várias tentativas frustradas de encontrar um hotel...
...mas um pôr-do-sol na estrada de tirar o fôlego; uma paisagem de campo, céu alaranjado e nuvens rosas depois de um dia cinza...
...e quando finalmente encontramos um hotel, tomamos vinho argentino e comemos empanadas na piscina!

"Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma"


6a parada: Puerto Iguazu
Com certeza o auge da viagem... e a parada mais esperada também... conhecer as cataratas foi mesmo indescritivel!

* Puerto Iguazu
Uma cidadezinha pequena, totalmente focada no turismo... muitos hoteis, restaurantes, lojinhas... e um calor e uma umidade que deixavam a sensação de que estávamos sempre suando (até debaixo do chuveiro)

"lo que mata es la humedad
y hoy hace un tiempo, un tiempo de mierda"



* Itaipu e o lado brasileiro
Visitamos a maior usina hidroelétrica do mundo em geração de energia... fronteira entre Brasil e Paraguay, eletrecidade que alimenta 20% da energia brasileira e 90% da paraguaia.
Se na usina a quantidade de água já impressionou, que falar das cataratas...



O lado brasileiro oferece uma vista panorâmica das quedas (já que a maioria delas se encontra no territorio argentino). Passear pelo caminho do lado brasileiro, que vai costeando o rio, oferece diversas vistas lindíssimas das cataratas... a cada passo tínhamos que parar pra tirar mais fotos, porque a cada passo a vista ficava mais linda...
E no fim, fomos numa pontezinha que adentra o rio e coloca os visitantes em frente às cataratas... muito bom deixar que os respingos das quedas molhassem a gente!



Além das cataratas, os quatis dão um show a parte... eles estão por todo o parque e chegam bem pertinho dos visitantes...





* O lado argentino
Se o lado brasileiro é lindo, o argentino é "hermoso"! ;) Gostei ainda mais!
Se no lado brasileiro a vista panoramica encanta, no lado argentino a proximidade das quedas impressiona!
São vários caminhos diferentes...
... o "circuito inferior", que permite chegar "por baixo" nas cachoeiras... dá pra chegar pertinho, respirar, sentir, molhar...



... o "circuito superior"", que passa por cima das cataratas e oferece uma visão diferente: dá pra ver a água caindo lá embaixo e os diversos arco-iris que se formam...

... e, o melhor de todos, o passeio da "garganta do diabo" que, depois de mais de 1km cruzando o rio, chega até o meio dele, na boca do cânion, onde fica a maior das cataratas - a "Garganta do Diabo". Um "mirador" te leva na "epiglote" da garganta... tu fica em cima da queda, olhado para o maior volume de água que já vi caindo... e a força da queda levanta uma fumaça branca de água que faz "chover pra cima". É lindo, imponente, ensurdecedor... é uma quantidade incrível de água, é uma beleza indescritível...



* O lado argentino, versão 2
O mais legal do lado argentino é que, como o parque é enorme e tem muitas trilhas, caminhos e opções pra desfrutar das cataratas, 1 dia não é suficiente pra ver tudo... então eles te dão a opção de carimbar teu ingresso na saída e voltar no dia seguinte pela metade do preço. E eu e a Débora fomos!
... Fizemos a "trilha do Macuco"... mais de 7km (ida e volta) pela selva. E o prêmio pra quem vai até o fim: banho de cachoeira!!!



... Comemos nossos sanduiches num lugar com uma vista linda das cataratas
(pão de sanduiche: 3 reais; queijo em fatias: 2,50; entrada no parque com ingresso carimbado: 7,50; almoçar com vista pras cataratas: não tem preço!)
... Tiramos um cochilo deitadas na grama do parque... e, ao acordar, vimos um tucano igual aqueles de desenho animado!
... e fizemos um passeio de lancha que vai embaixo das cataratas!! Sim, entramos embaixo dágua!! Ver as quedas de baixo e tomar banho de catarata é o máximo!!



"Com certeza, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira"


* A triple fronteira
Estávamos no ponto onde os rios Paraná e Iguaçu dividem Brasil, Argentina e Paraguai. Em cada um dos lados há um marco da "triple fronteira" e vista para os 2 outros lados.
Conhecemos o brasileiro e o argentino.
"Yo no sé de dónde soy,
mi casa está en la frontera

Y las fronteras se mueven,
como las banderas."



* Ciudad del Este
Como eu e a Dé optamos por um 2o dia no lado argentino das cataratas, não fomos ao Paraguay. Mas minha mãe e minha tia foram, se divertiram fazendo compras e voltaram com algumas aquisições paraguaias (para que? ;) hehe)

7a parada: Três de Maio e Ijuí
Na volta, por 3 minutos perdemos a balsa que nos levaria da Argentina de volta ao Brasil... e tivemos que esperar por 3 horas até a próxima num lugar no meio do nada, nas margens do Rio Uruguay. Pelo menos tínhamos tererê, empanadas e vista para o rio...

Já no Brasil, passamos em Três de Maio pra visitar meus tios... e dormimos em Ijuí, na casa da minha avó.


E no dia seguinte, viemos a São Leopoldo... não sem aventura, já que o temporal daquela segunda-feira lavou as encostas dos morros, bloqueou a pista em vários lugares, nos obrigou a pegar uns desvios que parecia que estávamos dirigindo dentro de um rio (e, depois que chegamos em casa sãos e salvos, descobrimos que foi essa mesma chuva que arrastou a ponte do Rio Jacuí e que a estrada pela qual fomos foi bloqueada logo depois que passamos)

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Mundo Alas



Mundo Alas é um filme, um livro e um show dirigido pelo cantor argentino Leon Gieco e estrelado por pessoas com deficiencias...

Quinta feira fui assistir ao show...

Foi no "teatro de verano" aqui de Montevideo... um lugar lindo, ao ar livre e que tava completamente lotado... milhares de pessoas sob as estrelas, assistindo um espetáculo lindo e comovente...

Pra começar, Leon Gieco tocou algumas de suas músicas... e, com as explicaçoes da origem delas, passei a gostar ainda mais... ouvir "En el pais de la libertad" dedicada às maes da praça de maio ou "El ángel de la bicicleta" a um menino que foi morto com um tiro de um policial... foi emocionante...

E depois começou o show... a voz linda de uma cantora cega que dizia que estava muito feliz porque sentia a quantidade de gente que havia na platéia... as notas da gaita de boca tocada mágicamente por um cantor e compositor sem braços nem pernas... os passos dos bailarinos de tango com síndrome de down que deslizavam macios pelo placo... a leveza dos gestos do dançarino em uma cadeira de rodas... de arrepiar!

A página do Mundo Alas diz "¿para que quiero pies si tengo alas?"... e realmente eles ensinaram a todos que estávamos na plateia a voar...

Tenho certeza que cada pessoa que esteve presente nesse show saiu de lá um pouquinho mais humana...

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Murga e carnaval uruguaio

Você sabia... que o carnaval uruguaio é, oficialmente, o mais longo do mundo? Dura 40 dias e arrecada mais dinheiro do que o futebol em todo o ano, no país ;)

E qual é o segredo do sucesso do carnaval daqui?

Aqui eles nao têm escolas de samba... mas têm murgas, comparsas, humoristas, parodistas... têm tambores, música com descendência afro... Nao têm desfile de rua, mas têm um carnaval de palco que se apresenta pelos bairros de Montevideo (em palcos montados para o carnaval) e, principalmente, têm um "Teatro de Verano", que é o lugar mais legal que já vi pra espetáculos ao ar livre (e é onde acontecem os eventos carnavalescos mais importantes - eu fui lá pra ver a prova de admissao do carnaval 2010 e o concurso de "murga joven")!

Explicando um pouquinho...

É um grupo de entre 15 e 20 e poucas pessoas (originalmente só homens... hoje algumas murgas têm mulheres... e tem até murga só de mulheres) que faz algo entre música, teatro, humor, crítica política e social... O ritmo da murga é conhecido como "marcha camión" - ou, como dizem os Autenticos Decadentes, "tu-ta tu-ta" ;)
É formada por um coro que canta (com arranjos de vozes muito legais!), atua, faz solos, piadas, críticas (em geral sao relacionadas com política e acontecimentos sociais do país)... e também por 3 músicos (bumbo, tarol e pratos) e um que conduz o coro (e toca violao).
A atuaçao da murga sempre gira em torno de algum tema que pode variar de coisas tao aleatórias como extra-terrestres, vida após a morte, time de futebol, ursinhos "gummy", etc. (mais ou menos como o samba-enredo das escolas de samba). Para apresentar esse "tema", eles usam músicas próprias, roubam pedaços de músicas conhecidas, fazem paródias, imitam personagens famosos, falam mal do governo, fazem pequenas "sketchs"... A apresentaçao tem uma ordem (sempre tem uma música de entrada, a parte de atuaçao e uma música de despedida que eles saem cantando e o povo levanta e aplaude/canta/sai atrás deles).
Os integrantes da murga usam maquiagem, fantasias, etc. de acordo com o tema. E a cada ano, assim como as escolas de samba, a murga cria uma apresentaçao nova, que estréia no carnaval.
E assim como o carnaval das escolas de samba, tem jurados que dao notas pra diversos quesitos da murga e há sempre uma vencedora do carnaval (e, claro, há musicas que ficam famosas e que todo mundo conhece - assim como o "explode coraçao")

Para conhecer algumas murgas: A contramano, Agarrate Catalina, Contrafarsa

PS: a explicaçao aqui corresponde à murga no Uruguay... na Argentina, na Espanha e possivelmente em outros países de colonizaçao espanhola também há murga, mas funciona diferente...

PS2: meus amigos murgueros: espero ter explicado bem... isso tudo aprendi com a minha observaçao, assistindo diferentes murgas, perguntando... se algo tiver errado, me corrijam!

Além das murgas, também tem os "lubolos" - que sao grupos que tocam "candombe" (musica com influencia africana, de tambores... algo como o que se encontra no nordeste do Brasil), dançam e cantam... os "humoristas" - que também cantam e atuam como as murgas, mas que nao tem a riqueza musical delas, sendo mais focados na parte das piadas e atuaçao... e os "parodistas" - que sao ainda mais escrachados que os  humoristas... e que além das piadas, também fazem coreografias (e eles nao têm musicas próprias - as coreografias usam músicas que já existem) e desculpem os que gostam, mas pra mim parece uma coisa meio "Backstreet Boys" :P

Eu, que gosto de conhecer as manifestaçoes culturais dos diferentes países que conheço, tentei me dedicar a conhecer um pouco da riqueza carnavalesca uruguaia... pena que agora que a "movida" realmente começa, to indo embora...

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Os uruguaios também são gaúchos...

...eles também comem churrasco e tomam mate
...aliás, parque e domingo também são sinônimos de mate aqui... e eles também saem de casa pra encontrar os amigos pra "tomar um mate" (já viu outro lugar do mundo onde jovens se encontram ao ar livre em um domingo pra tomar chá?)
...no idioma: eles também falam "bergamota", "tá", "bah"... usam "gurises" e "gurisas"... e têm palavras que eu acho que não são em espanhol, mas que eles importaram nossas... como o "derrepente"... ah, e nem preciso mencionar o "che", né?
...geográfica e paisagisticamente não precisa dizer muito... pampas, araucárias, muuuito gado espalhado pelos campos... ah, e as praias também se resumem a mar, areia, dunas e água gelada... e obviamente, eles também se orgulham delas!
...alpargata, bombacha... e todos aqueles clichês: lenço no pescoço, boleaderas, bota, chapéu... à cavalo, claro!
...as danças típicas... outro dia uma amiga me explicava uma que é "uma espécie de sapateado ao redor de uma espada deitada no chão"... seria a chula? ;)
...e a música... os gaiteros, as milongas, as pajadas...
...e não só a música tradicionalista... aqui eles usam muito o conceito de "cantautor"... aquele cantor e compositor "violão e voz"... te lembrou o nosso cantautor Vitor Ramil? e provavelmente tu já conhece um cantautor daqui: Jorge Drexler
...e o rock? Ouça No te va gustar, El cuarteto de nos, La vela puerca... e diga se não parece rock gaúcho
...e em Montevideo o Prado seria a Redenção, a Rambla seria o Gasometro... tem uma feira de antiguidade todo fim de semana na Plaza Matriz que é o "brique da Redenção deles"... sair a noite na Ciudad Vieja equivale a Cidade Baixa (e Pocitos equivale ao Moinhos, onde a noite seria a da Padre Chagas)
...aqui também tem porto, calçadão a beira rio (onde é bom de andar de bici - que, aliás, também se chama bici)... também tem uma feira rural, a versão uruguaia da "expointer"
...e será que seria dizer muito que Galeano é o Quintana deles?

...mas sabe quando foi que eu confirmei mesmo que o Uruguay na verdade deveria ser parte do Rio Grande do Sul?
Foi ao ver o pôr-do-sol no "Guaiba" deles...



...com tudo isso, como não me sentir em casa? ;)

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O que eu to fazendo aqui...

Já falei que tô em Montevideu, já contei coisas da vida por aqui, mas ainda nao disse o que eu vim fazer aqui... a explicação merece um post ;)

Vim através da AIESEC (www.aiesec.org) fazer um intercambio de desenvolvimento (que é o tipo de intercambio que os trainees trabalham em algo que tenha impacto social) em uma ONG.

A ONG que eu trabalho se chama Programa Cardijn (www.programacardijn.org) e é uma ONG que trabalha com o tema "desemprego", combatendo suas causas e consequencias.
A coisa mais legal que a ONG faz (e a que eu mais participo) são cursos de capacitação para pessoas de baixa renda (em geral gente que não tem o 2o grau completo, que tem filhos ou que sao chefes de familia e que nunca trabalhou ou que só trabalhou informalmente), pra ajuda-los a encontrar trabalho.

São cursos de coisas como hotelaria, gastronomia, atenção telefonica, etc. que permitem que os alunos consigam emprego em hoteis, restaurantes, empresas, etc. trabalhando como mucama, garçom, ajudante de cozinha, operador de call center...
O legal é que a formação que se dá aos alunos nao é só na parte profissional, de tarefas... também tem o lado humano, pessoal... tem muito apoio das psicólogas... e trabalham as chamadas "competencias transversais", como trabalho em equipe, pro-atividade, iniciativa...
Além disso, todo os alunos tem acompanhamento em sua busca por trabalho... aprendem a fazer um CV, como e onde procurar trabalho, como é uma entrevista de emprego... e participam de reuniões semanais de acompanhamento na sua busca por trabalho.

E o que eu faço aqui?
De tudo um pouco! :)

Eu vim com a proposta de trabalhar na parte de comunicação/marketing e relacionamento com empresas (pra conseguir mais empresas que contratem nossos alunos depois que terminam os cursos).

Só que de me meter em coisas diferentes e buscar oportunidades novas pra ONG, acabou que agora me denomino "Relaçoes Externas e Novos Projetos", já que ja fiz orçamento para proposta de cursos novos, escrevi licitações, escrevi proposta de cursos, negociei com professores possiblidades de cursos novos, represento a ONG em 2 redes de organizações diferentes e nos mais diversos eventos (governamentais, de empresas, de organizações da sociedade civil)... tambem tenho trainees sob minha responsabilidade (e fui eu que consegui a parceria com a universidade de onde são os alunos que vêm aqui ser voluntarios), estou organizando o evento de graduação dos alunos dos 2 cursos que temos em andamento, organizei aulas de apoio para os jovens que nao terminaram o 2° grau poderem fazer os exames que faltam pra terminar seus estudos, cuido do conteúdo da página web e do blog (e inclusive aprendi a mexer em códigos html e a publicar com ftp pra colocar as informações da página online)... e volta e meia faço outras tarefas variadas de acordo com as necessidades daqui...

Eu que nao gosto de rotina e gosto de ter um trabalho variado, to achando ótimo! :)
Tenho aprendido muito, me frustrado com algumas coisas, comemorado outras, me surpreendido com outras... o saldo com certeza é positivo!

E o Uruguay é com certeza um lugar legal pra se trabalhar!

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Montevideo aleatorios...

* venta tanto nessa cidade que deveriam inventar "óculos de vento", que protegessem os olhos contra todas as porcarias que o vento faz entrarem nos olhos

* odeio os ladrilhos soltos das calçadas... quando chove sempre acumulam água... e eu sempre piso neles e me respingo toda

* acho que Sao Pedro criou uma lei que diz que só pode ter 2 dias de sol+calor seguidos em Montevideo... depois desses 2 dias, vem sempre uma tormenta... chuva, tempestade elétrica e, óbvio, vento!

* adoro o quao amáveis sao os uruguaios quando te cumprimentam: "hola, divina", "como andas, querida" :)

* já disse o quanto gosto da rambla, né? e agora que já nao é tao frio e a rambla tá sempre cheia de gente, dá pra voltar pra casa de bici as 23h30 :)

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22km de Rambla

A Rambla, rua que acompanha o Rio da Prata ao longo de toda Montevidéu, tem 22km... e eu e a Dé decidimos percorre-los de bicicleta! :)




pedaladas, pneus furados, praia, parque, barquinhos, grama, pic-nic na calçada, mate, dor na bunda, por do sol e paisagens lindas... foram 40km de um 12 de outubro ensolarado :)


(fim da rambla: km 22) (fim do nosso passeio: km 2, onde começamos)

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Sobre morar em Montevidéu...

Já faz 1 mes que estou aqui... e já tem coisas que eu gosto e outras que nao tanto sobre essa cidade...

Nao gosto:
- os uruguaios tão sempre atrasados pra tudo!! se marcar um encontro as 20h, espere que eles venham as 22h! :P
- andar a noite aqui, por mais que seja bem mais seguro que no Brasil, é bem mais perigoso que em Budapeste... saudade das caminhadas noturnas por lá...
- não tem transporte noturno!! tá, já sei que em POA também não tem... mas em Budapeste tinha :P hehe
- sair a noite é caro... tem que pagar pra entrar na maioria dos lugares e bebidas em geral são caras (até tomar uma coca-cola num barzinho eh carooo)

Gosto:
- a rambla! são 22km de rua+calçadão na beira do rio... é ótimo pra andar de bicicleta, tomar mate, olhar o por do sol no rio...
- os uruguaios sao tao gaúchos!! tem muitas palavras em comum com a gente (eles falam bergamota! haha) e muitos hábitos em comum também (adoro o fato de eles andarem SEMPRE com uma térmica embaixo do braço e a cuia na mão!)
- o preço da carne!! e a carne é muito boa!! :)
- adoro entender tudo! e conseguir pedir informaçoes, me comunicar com qualquer pessoa na rua... não preciso mais usar gestos pra comprar pão!! hahaha
- meu grupo escoteiro! no primeiro sábado que estava aqui já achei um grupo escoteiro... e eles já me adotaram... sou "Kaa" na alcatéia... trabalho com as crianças de 7 a 11 anos... uns amores!
- as pessoas são abertas, receptivas e é fácil se aproximar, conversar... como to trabalhando com relaçoes externas aqui na ONG, preciso fazer contatos, reunioes, etc... e todo mundo é super aberto pra marcar reunioes, ouvir ideias diferentes, passar outros contatos... isso tem facilitado muito meu trabalho! Além disso, como é um país pequeno, todo mundo se conhece, entao é fácil criar uma rede de contatos, porque uma pessoa vai levando à outra... (já estive no mesmo evento que o prefeito, o representante do PNUD, CEOs de várias empresas...)

E uma coisa que gosto muito daqui é a quantidade de oportunidades e o quão acessíveis elas sao... como tudo no Uruguai se concentra em Montevidéu, é aqui que estão todas as empresas, todos os órgãos governamentais... entao é aqui que estao todas as licitaçoes, oportunidades de financiamento, apoio para novos negócios, suporte para projetos, eventos, oficinas, seminários...
Eu até inscrevi uma idéia minha em um concurso "Ideias para Empreender"... hehehe

Ah, e é claro... adoro o fato de os uruguaios todos gostarem muito do Brasil e dos brasileiros... é só dizer que sou brasileira que eles abrem um sorrisão! :)

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Mate, rambla, bicicleta e por do sol...



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Encontos...

Hoje estava caminhando pela Rambla, aqui em Montevideo, no mesmo lugar por onde passei há 5 anos, também num fim de tarde de céu lilás... e - que surpresa! - encontrei a Bárbara de 5 anos atrás...

Ela usava macacao jeans e uma faixa colorida na cabeça... Sua primeira reaçao foi de surpresa: o que eu tava fazendo ali?

Quando lhe disse que eu estava morando aqui, em Montevideo, me perguntou se eu tinha gostado tanto do Uruguay que tinha resolvido ficar... ou se eu tinha ido pra outros lados pra depois voltar...
Me perguntou se eu planejava ficar muito tempo ou se tava só de passagem... se eu planejava voltar pro Brasil em breve, seu eu ia pra algum outro país, ou se já tinha ido...
Perguntou se eu tava trabalhando, se tinha me formado... se eu tava sozinha, ou se tinha amigos comigo...

Achei melhor nao responder... nao sabia se ela ia ficar orgulhosa ou decepcionada com a Bárbara de 5 anos depois... Será que ela ia ficar feliz com as minhas escolhas? Achei que se eu dissesse por onde ela ainda ia passar, ela ia ficar orgulhosa, mas talvez nao acreditasse... além disso, achei que se eu contasse, perderia a graça...

Entao simplesmente convidei-a para andar pela rambla contemplando o por-do-sol... porque afinal, algumas coisas nao mudam nunca ;)

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Um país com o nome de um rio...

Meu próximo destino: Uruguai

Vou passar 5 meses em Montevideu (cidade sul-americana de melhor qualidade de vida, segundo estudos da Mercer)

Vou trabalhar em uma ONG que trabalha com educação profissionalizante para jovens e adultos que não têm estudo superior, pra ajudar a alocá-los no mercado de trabalho.

Vou morar no país com o nome de um rio, terra de Jorge Drexler e Eduardo Galeano...

un país con el nombre de un río
un edén olvidado
un campo al costado del mar

Vou tomar mate na rambla, vou caminhar em direção ao horizonte...

... e que "sea lo que sea"...

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