Aventuras em Manaus

Capital do Amazonas, meu primeiro contato com a região norte do país.

Encontro das águas - Rio Negro e Solimões formando o Amazonas

Na conexão em Guarulhos, no ônibus que leva os passageiros até o avião, encontro 2 paulistas conversando: “minha mãe disse que temos que nos programar pra fazer tudo antes ou depois do horário da chuva”. Me meti: “e qual é o horário da chuva?” E com isso, acabei puxando conversa com eles, estudantes de turismo, indo a Manaus fazer um trabalho da universidade sobre as cidades-sede da copa.

No avião, longas 4hs de vôo sobrevoando o nada – como viajei à noite, só se via uma imensidão negra lá embaixo, salpicada por muito poucas luzes de vez em nunca... e eu imaginando onde será que estamos? Será que já cruzamos o Mato Grosso? Já entramos em território amazonense?

Ao pousar, recebo uma ligação da querida Ju Teles, aieseca manauara, que eu tinha conhecido em 2012, em uma conferência da AIESEC e havia contatado antes da viagem, para ter uma guia local para me ajudar a explorar a cidade. Ela estava me esperando no desembarque, pra me dar uma carona até o hotel! :)

No dia seguinte, saí para explorar a cidade. Meu hotel era bem no centro (Av. Sete de Setembro) e, subindo a avenida ao lado, cheguei ao Teatro Amazonas. Lindo! Descobri que estava acontecendo um festival de ópera e não tive duvida: comprei ingresso para ir à opera (e aproveitar para conhecer o teatro por dentro)! 

o Teatro Amazonas

Saindo do teatro, triste de não ter fotos minhas com ele, encontro de novo os dois paulistas... Oba! Foto!! E acabei me juntando a eles para andar pela cidade – e assim tive companhia (muito agradável, por sinal!) para as aventuras desse dia.

Teatro Amazonas e eu

Passamos pelo Palácio da Justiça, pelas informações turísticas e rumamos ao Mercado Público. O centro/região do porto de Manaus é como a maioria dos centros de cidades grandes no Brasil: sujo, muito lixo nas ruas, muita gente e muitos camelôs. O Mercado Público foi reformado recentemente e é todo de estrutura metálica com vidro, muito bonito. E por dentro, achei até bem limpo e organizado. 

Mercado Público

Na frente do mercado, ele: o Rio Negro! Lindo, de águas escuras avermelhadas (cor de chá-mate, como me disse depois um manauara)... Fomos até o porto, vimos as pessoas esperando os barcos – dali partem barcos para diversas cidades na Amazônia... o transporte fluvial parece ser mais comum do que o por terra nessa região... e andar de barco parece ser um exercício de paciência, pois são horas e horas no balanço do barco – e das redes penduradas no convés... mas parece ser uma experiência interessantíssima (quem sabe um dia eu volto pra fazer Manaus – Belém?)

o Rio Negro!!! - no Porto de Manaus

Depois dali (e de comprar redes – não de pesca, de deitar!), resolvemos seguir a sugestão da Débora e ir fazer um passeio muito legal: ir ao Museu do Seringal.

Para chegar lá, pega-se o ônibus 120 (Ponta Negra) até o final da linha. Lá, caminhando uns 100m está a Marina do Davi, de onde saem barcos regulares para as comunidades que ficam nos Igarapés do Rio Negro, incluindo a Vila Paraiso, onde fica o Museu. (Igarapé é um braço do rio, que entra no meio da selva)

de barco pelos igarapés do Rio Negro

O Museu é muito legal! Ele foi feito para ser cenário do filme “A Selva”, que conta a história de um seringalista português. E a nossa guia no museu detalhou poeticamente toda a história. Assim, conhecemos a casa onde ele morava, a casa do capataz, as casas dos seringueiros (que eram sobre palafitas por causa das onças!), a capela onde os seringueiros se confessavam (e depois o falso padre contava ao seringalista tudo o que tinha ouvido), o livro das dívidas que os seringueiros contraíam – e nunca conseguiam pagar –, as ferramentas de trabalho dos seringueiros... e, o mais legal de tudo, o processo de extração da borracha!

Museu do Seringal Vila Paraíso

Vi como se fazem os cortes na seringueira, como é colocado o copinho, vi a seiva escorrendo para dentro do copinho, coloquei na mão um pouco da seiva e, esfregando com o dedo, a seiva aos poucos se torna pedacinhos de borracha! Também conhecemos o processo de preparo, onde a seiva é colocada sobre um pedaço de pau que é aquecido na fumaça, depois uma nova camada de seiva é colocada e o processo se repete por aproximadamente 1 semana, até se obter um pedaço de borracha de 50kg – que era então vendido. Também vi esses rolos gigantes de borracha (e brinquei de jogar um rolo de 11kg no chão e ver ele quicar).

extração da seiva da seringueira

Processo de fabricação da borracha

a borracha pronta

Ainda no museu, vimos como é feito o processamento da mandioca brava para se tornar farinha (e tucupi e goma de mandioca): a mandioca é ralada e colocada em uma “prensa”, onde é esticada (e isso é o que a faz prensar) e solta a goma e o caldo amarelado e ácido (o tucupi), que é usado para muitos pratos amazonenses. Depois, a massa que sobra é peneirada e assada.

Depois do museu, pegamos novamente o barco e fomos até a Praia da Lua, uma praia de rio, também em um igarapé do Rio Negro. O nível do rio estava bem alto (maio é quando está terminando a época de chuvas e começando a época seca – ou o verão – e por isso o rio está tão cheio). Dizem que em outubro/novembro o rio vai estar bem baixo e a faixa de areia na praia será muito maior. 

Se a cor da água já tinha me impressionado lá no porto, na Praia da Lua fiquei ainda mais encantada! É uma água escura, avermelhada, mas ao mesmo tempo transparente! Perguntando aos locais o porquê da cor da água, ouvi diversas teorias: que é devido à acidez da água; que o Rio Negro contém muitos resíduos de plantas, folhas, raízes da floresta e é isso que dá a coloração da água; que por não desbarrancar as terras ao lado do rio a água não fica barrenta como o Solimões; e que é devido ao ferro (ou outros minerais ferrosos) que a água fica avermelhada... Não sei qual é a teoria certa, mas o banho no Rio Negro pra mim foi o ponto alto de Manaus!

Praia da Lua - observe a cor da água do rio!!

Ficamos na água até o final da tarde e, quando pegamos o barco pra retornar para a cidade, fomos presenteados com um lindo por do sol no rio! 

por do sol no Rio Negro - Praia da Lua

voltando de barco pelo rio

Já em Manaus, passamos pela Ponta Negra, praia urbana da cidade. A Ponta Negra foi reformada recentemente para ter praia permanente (mesmo na cheia do rio) e agora conta com uma infraestrutura muito legal: mirantes para ver o rio e o por do sol, calçadão arborizado para caminhar ou andar de bicicleta, quadras de esporte, um anfiteatro e alguns barzinhos, barraquinhas de açaí, tacacá, etc. E a praia estava bastante limpa para um final de sexta-feira no meio de um feriadão... e é claro que tomamos mais um banho delicioso no Rio Negro, que agora já estava totalmente negro pois já era noite.

Praia da Ponta Negra

De volta ao centro, a programação noturna foi uma aventura culinária: provar o famoso tacacá! O tacacá é um prato feito com tucupi (o caldo amarelado e ácido extraído da mandioca brava – e que, se consumido cru, é venenoso!), goma de mandioca (que disseram que é pra quebrar a acidez do tucupi), jambú (uma folha que dizem que causa uma leve dormência na língua e na boca) e camarão seco (que também pode ser substituído por carne ou peixe em outros lugares). O tacacá é servido em cuias, ele é tomado (e as folhas e o camarão são pegos com um palito pra comer) e deve ser comido bem quente – e ele dá um calorão mesmo!

comendo tacacá com o Alisson e a Raquel, meus companheiros de passeio

Tomamos o tacacá na praça que fica em frente ao Teatro Amazonas, região super agradável de ir à noite: cheia de barzinhos, restaurantes, sorveteria... todos com mesinhas nas ruas e muitos com música ao vivo.

a praça em frente ao Teatro Amazonas - de dia

No dia seguinte, o passeio foi fazer stand up paddle (SUP) em um igarapé do Rio Negro. Eram 2km de travessia (de ida, depois ainda tinha a volta!) até chegar a um igapó, onde podíamos relaxar deitados nas pranchas ou tomando banho no rio... 

no meio do igapó, curtindo a natureza e o contato com a floresta :)

Igapó é uma região alagadiça que durante a cheia do rio fica submersa (só com a copa das árvores pra fora) e seca durante o verão. Como era época de cheia, tínhamos que cuidar pra não dar de cabeça num galho – e pra prancha não bater também.

Pra quem nunca tinha feito SUP na vida, até que me saí bem! :) Afinal, não é todo dia que a gente cruza o Rio Negro em uma pranchinha, né?

eu e a Ju no SUP

Depois do SUP, almoço (afinal, foram 4hs sob o sol, remando e nadando) e partimos rumo a um mirante que pouquíssima gente conhece e de onde é possível observar o encontro das águas sem precisar ir de barco até ele...

E a vista do mirante é realmente linda!! Dá pra ver perfeitamente o Rio Negro e o Solimões correndo lado a lado pra formar o Rio Amazonas. Devido a diferenças de acidez, temperatura e velocidade, os dois rios percorrem quase 10km sem se misturar... e dá pra ver direitinho o Rio Negro mais escuro e o Solimões mais barrento como se fossem divididos por uma linha imaginária... 

o encontro das águas visto do mirante

Pra completar o dia, ainda fui assistir a ópera e conheci o Teatro Amazonas por dentro... muito lindo! 

o Teatro Amazonas por dentro

E as experiências no Amazonas não param por aí, já que depois de Manaus voei para Tefé, onde vou passar 1 semana... mas aí fica pra outro post! 

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São João del Rei

Em São João passeei pela cidade que refletias com teu olhar quando observavas as ruas, as casas, as paredes da universidade... 


Segui teus passos pela cidade sem saber se estávamos em 2014 ou em 2004, sem saber se o que eu via estava lá de fato ou havia estado e me relatavas com tuas memórias.

Subi contigo as ladeiras que te levavam todos os dias a um novo desafio, senti tua dor ao ver que algumas coisas não estão mais lá – e senti que algo de ti também não está mais – mas encontrei em São João o que levas dentro de ti: a tua força. E junto contigo, colhi pedaços teus pelos caminhos que percorremos.


Nos teus reencontros com personagens do passado vi brilhar em teus olhos a luz que te fez ficar quando parecia que terias que desistir. E não pude deixar de notar o orgulho e a admiração deles por quem tu te tornaste.

A cada passeio, quando me apontavas tuas casas, tua sala de aula, teus lugares de trabalho... fui montando o quebra-cabeças que te faz ser quem és hoje.

E nesse caminhar pelo passado, conhecendo a tua São João, entendi que, como a cidade, tu és feito de pedra e estanho – mas manténs a suavidade e a leveza das rosas que florescem por todos os jardins de São João...


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Re-descobrindo Porto Alegre

Depois de vários anos longe de Porto Alegre, agora que voltei a morar aqui, estou re-descobrindo a cidade... encontrando lugares novos, descobrindo novos caminhos nos lugares já conhecidos e revisitando lugares queridos...

E assim, minhas novas (re)descobertas por aqui foram:

* O Jardim Botânico

Depois de morar 1 ano pertinho do Botânico de Curitiba, resolvi que precisava conhecer também o Botânico de POA... e foi uma surpresa muito agradável!


Um lugar repleto de árvores, plantas das mais diversas, vários cheiros, cores... um lugar agradabilíssimo para passar uma tarde ensolarada, tomar um chimarrão, respirar um pouco de ar puro, relaxar, estar em paz...



* Museu Iberê e a Orla do Guaíba

O Guaíba sempre foi um dos meus lugares preferidos em Porto Alegre... mas agora com o esquema de aluguel de bicicletas, pude explorar ainda mais a orla do nosso lago preferido...


Em aproximadamente 30min de pedalada do gasômetro, seguindo sempre pela beira rio, chega-se ao Museu Iberê Camargo... ali na frente tem uma graminha gostosa pra sentar, tomar um chima, lagartear no solzinho de inverno... e apreciar o pôr do sol mais lindo do mundo!



E depois, ainda demos uma volta pelo museu, para ver a exposição... e descobrimos que o quadro mais bonito continua sendo a vista do Guaíba no fim da tarde, da janelinha do museu...



* Museu Joaquim José Felizardo

Na cidade baixa, escondidinho em meio aos vários bares e casas noturnas da João Alfredo, está o Museu Joaquim José Felizardo, instalado em um Solar - casarão antigo...



E atrás do museu tem uma graminha com árvores, onde é permitido entrar, sentar, tomar chimarrão, passar a tarde... e foi o que fizemos!


* Museu de Ciência e Tecnologia da PUC

Já tinha visitado o museu da PUC há uns 10 anos... e resolvi voltar para ver as novidades! 


Giramos no giroscópio - que simula os movimentos de um astronauta no espaço - coloquei as mãos na bola de energia estática (sim, aquela que levanta os cabelos!), simulei pulos na gravidade lunar, desvendamos mistérios de lógica, ótica, tocamos um piano gigante com os pés, experimentamos diferentes pesos e força com alavancas e roldanas, nos desafiamos jogando bola em movimento... e nos divertimos igual criança, brincando com ciência!


Que bom saber que Porto Alegre ainda tem muitos cantinhos para explorar e descobrir!! :)

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Morro da Tapera

Ontem fui com uns amigos ver o por do sol do Guaíba (também conhecido como o por do sol mais lindo do mundo) de cima do Morro da Tapera... 

Mal sabia eu que a cidade de Porto Alegre guardava um morro com uma vista tão linda para o Guaíba!


Na zona sul, na Juca Batista, ainda dentro do perímetro urbano da cidade, estacionamos e começamos a trilha. Com meia hora de caminhada por uma trilha bem fácil para quem é acostumado, chegamos lá em cima... 


Encontramos uma pedra suspensa - linda! - e ali sentamos para ver o sol se por... 




Depois do espetáculo, descemos com a luz de fim de tarde, as luzes da cidade lá embaixo e as estrelas que surgiam... 


Muito bom descobrir um lugarzinho assim tão especial dentro de Porto Alegre! :)

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Re-começo

Quando me mudei pra SP, um amigo perguntou:

- Então tu não volta mais pra São Leopoldo?
- Ah, pra visitar eu volto, afinal meus pais ainda moram aqui... Mas pra morar não volto mais...

E eis que aqui estou, de volta!

Um ciclo se fechou...
Que venha um novo ciclo
Que retorne Saturno
Que comece a nova era...

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Carnaval em Recife/Olinda

O carnaval de Recife e Olinda é o carnaval mais cultural do Brasil. São vários ritmos musicais, muitas manifestações populares e culturais... tem frevo, maracatu, samba, mpb, rock... tem caboclos de lança, caboclinhos, afoxés, encontros de bois e ursos, escolas de samba, blocos líricos... tem ladeiras e blocos de rua, tem palcos e shows de diversas bandas e diversos ritmos... é realmente um carnaval multicultural!

E todo mundo - crianças e adultos, jovens e velhos - vai pras ruas fantasiado para brincar em um carnaval democrático e pacífico (não vi roubos, furtos nem grandes confusões!)

E eu fui conferir esse carnaval tão lindo!

Fui recebida, na abertura do carnaval de Olinda, por Alceu Valença cantando "Voltei Recife"

"Quero sentir a embriaguez do frevo que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba no pé" (Alceu Valença)

Ainda na primeira noite conheci mais da cultura olindense, com a Orquestra Contemporânea de Olinda. Depois do show fui para o tradicional Xinxim (bar local) onde aprendi passos de coco com um pessoal super animado que tocava ciranda, coco e frevo no pandeiro! Isso além de fazer amigos olindenses!

Na 6a feira foi o dia da abertura do carnaval do Recife. No Marco Zero iluminado, me emocionei com Milton Nascimento e me diverti aprendendo as letras dos frevos mais famosos, cantados por diversos artistas pernambucanos e brasileiros.

"Queiram ou não queiram os juízes

O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos, cantando esta canção

Viemos defender a nossa tradição

E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos madeira de lei que cupim não rói"
(Capiba)


O sábado começou cedo, nas ladeiras de Oinda, onde vimos passar diversos blocos de maracatu e frevo, em frente à prefeitura toda decorada para o carnaval. À tarde encontrei com o pessoal do Couchsurfing para curtir o bloco "Tá bom, a gente freva", um pessoal que gosta de rock e que, no carnaval, toca de Beatles a Michael Jackson - tudo em ritmo de frevo!


Também tive a experiência de descer arrastada pela multidão do bloco "Eu acho é pouco", um dos mais famosos e amados de Olinda, enquanto cantavam

"Olinda! Quero cantar a ti esta canção

Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar

Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar

Em Olinda sem igual

Salve o teu Carnaval!"

(Hino do Elefante) 

E à noite, no Marco Zero, me embalei ao som de Zelia Duncan. Mas foi Lenine - que parece ser o artista mais querido de Pernambuco - que fez o que foi, para mim, o melhor show do carnaval. Ele tocou por 2 horas incansáveis, todos os seus sucessos. E me arrepiei quando, ao voltar para o bis, Lenine anunciou: "Vocês achavam mesmo que eu ia embora sem tocar Leão do Norte?"

"Eu sou mameluco, sou de casa forte
Sou de Pernambuco, eu sou Leão do Norte"
(Lenine)

E aí eu me senti pernambucana e me uni ao coro que gritava "Ah, é Pernambuco!"

No domingo conheci o humor ácido do "Quanta Ladeira", bloco que faz paródias tirando sarro de todos os temas atuais...

"Fizeram um parque esquisito na praia de Boa Viagem
Botaram dois prédios redondo em formato de cu

O parque é feio de cima, de costas e de frente

Fizeram tudo diferente

Fuderam a mãe do presidente

A Dona Lindu"

(no ritmo de "La Belle de Jour")

Depois vi passar os caboclos de lança do maracatu rural, com suas belíssimas e pesadas fantasias, cantei com Zeca Baleiro, conheci Otto (cantor pernambucano) e pulei e gritei muito no show dos Titãs.
Depois do show, ainda esperamos o dia raiar na ponte que liga o Recife Antigo ao bairro de São José... e me admirei com a beleza do cenário formado pelas pontes e o Capibaribe ali no centro do Recife.

Na segunda-feira aprendi passos de frevo seguindo o Bloco da Ema pelas ladeiras de Olinda, conheci o Pátio de São Pedro, no centro do Recife, onde vi tocar a Orquestra Rockfônica de Frevo (uma orquestra completa de frevo que toca sucessos do Kiss, Metallica e outros! genial!!)

Também vi desfilar vários blocos de maracatu no palco afro do Pátio do Terço, admirei a beleza das fantasias dos personagens do maracatu e as batidas fortes das alfaias. E terminei a noite sendo abençoada pelas orações da Noite dos Tambores Silenciosos.

No último dia do carnaval, comecei o dia vendo o desfile de Bonecos Gigantes de Olinda. Depois passei o dia com o bloco da Zebra, do bairro de Umuarama, Olinda, onde fui recebida com muito carinho por todos. Subi e desci ladeiras dando meus passinhos de frevo... e depois, umas horinhas de descanso para aguentar a noite, que prometia!

E à noite enfrentei a multidão do Marco Zero para dançar ao som de Elba Ramalho, cantar com Caetano Veloso e coroar a noite com o show que, para mim, é a tradução do carnaval do Recife: Alceu Valença no Marco Zero!!


Mas a noite não terminava por aí! Sentados no chão do marco zero, vendo os prédios iluminados, me emocionei vendo os fogos de artifício e as diversas orquestras de frevo saudando o amanhecer!

"É lindo ver ver o dia amanhecer, 

ouvir ao longe pastorinhas mil, 

dizendo bem, que o Recife tem, 

o carnaval melhor do meu Brasil"



E depois de tocar todos os frevos que aprendi nesses 6 dias de carnaval, tocaram o hino de Pernambuco, que foi cantado em coro pela multidão:

"Salve! Ó terra dos altos coqueiros!

De belezas soberbo estendal!

Nova Roma de bravos guerreiros

Pernambuco, imortal! Imortal!"
E dali, seguiram todos - orquestras de frevo e toda a multidão que ainda persistia em brincar o carnaval - pelo marco zero, nos últimos passos de frevo do carnaval.

"É de fazer chorar, quando o dia amanhece e obriga o frevo acabar

Oh quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar"


E assim, exausta e feliz, fui embora as 8h da manhã, depois de 6 dias de folia. Obrigada ao meu guia olindense que me apresentou o melhor carnaval do Brasil através de seus olhos! :D

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"Modo despedida"

Mais uma vez estou de mudança, mais uma vez vou embora, mais uma vez despedidas...

E mais uma vez vejo como é interessante o momento das despedidas. Eu particularmente adoro entrar no "modo despedida"... sabe por que?

Porque é incrível como, quando as pessoas têm tempo de sobra para fazer algo, encontrar alguém, estar com um amigo, elas não o fazem... Mas na iminência da partida, quando resta pouco tempo, aí as pessoas encontram tempo!

Então aprendi a usar as despedidas como momentos para encontrar os amigos! 
Assim, revi amigos que não via há meses ou anos, só porque eu estava indo embora. Amigas com quem nunca tinha saído resolveram sair comigo, pra aproveitar "meu último final de semana na cidade". Amigos que nunca tinham me visitado, foram pela primeira vez - na minha despedida... e mesmo aqueles que eu encontrava bastante, que estavam sempre comigo, aumentaram a frequência da convivência pra aproveitar minhas últimas semanas antes de ir embora!

Pena ter que usar a despedida como desculpa para encontrar alguém que gostamos... pena ter que esperar até estar indo embora para que as pessoas tenham tempo para estar comigo... Queria não ter que ir embora para conseguir estar perto de quem eu gosto!

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2013...


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A conquista do espaço...

Quando pequena, pedia um globo terrestre (como aquele da Mafalda). Nunca ganhou. Decidiu buscá-lo por conta própria...

Foram 9 anos conquistando-o; percorrendo-o; vivendo-o...

E agora volta pra casa, e o entrega a si mesma:
- Aqui está! Agora tu o tens!
Sorri, o abraça.
- E aí, que vais fazer com ele?
Mas ela ainda não sabe a resposta...


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Partida...

"Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade"

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Paraísos Pernambucanos

Com meus pais morando em Recife, tive a oportunidade de passear por lá... e conhecer (ou re-visitar) uns pedacinhos de paraíso do litoral pernambucano...

* Carneiros - a igrejinha
Na primeira vez que pisei em Carneiros (em 2007, quando passei um final de semana em Tamandaré com uma amiga), fiquei encantada!
Sabe a descrição que fazemos de paraíso: "areia branquinha, mar azul claro, transparente e coqueiros"? É lá!! E a água do mar é quentinha e ótima pra nadar... e tem aqueles coqueiros tortos que parecem fundo de tela do computador...


E então resolvi caminhar pela praia... e na caminhada, passei em frente a uma igrejinha linda, na beira da praia... e disse "Pronto, é aqui que vou casar!" A igrejinha é literalmente na praia... tu sai dela e tá na areia, com aquele marzão azulzinho e os coqueiros em volta...


E é claro que esse ano quando fui de novo pra Pernambuco, fui até Carneiros (ainda sem o noivo)! E a praia continua linda! - e continua na minha lista de praias mais lindas do mundo!

* Porto de Galinhas - os peixinhos
Provavelmente a mais turísticas das praias pernambucanas, Porto de Galinhas tem piscinas naturais em seus arrecifes que, na maré baixa, permitem um passeio, alimentando e nadando com os peixinhos.


Na primeira vez que fui pra lá, também em 2007, fizemos "turismo de pobre": nadamos até os corais, ao invés de pegar a jangada... furamos os pés nos corais, por não alugar botinha especial... enganamos os peixinhos enchendo a mão de areia, ao invés de comprar ração de peixe... e voltamos boiando, trazidos pela maré que foi enchendo... e com certeza nos divertimos mais que muitos "turistas ricos"!
Quando fui esse ano, não conseguimos pegar a maré baixa para ir até as piscinas... mas aproveitamos a praia, que é linda mesmo assim!


* Muro Alto - o piscinão
Muro Alto tem esse nome por ter uma parede de corais gigante, que forma uma piscina muito gostosa para nadar. Passei um dia lá com a minha irmã e passamos muitas horas no mar, nadando naquela piscina azul turquesa...

* Calhetas - a desconhecida
Nunca tinha ouvido falar dessa praia, mas pesquisando sobre praias para conhecer em Pernambuco, descobri que indo até Gaibu e depois seguindo pelas pedras, era possível chegar por uma estradinha até Calhetas. Valeu muito a pena! 
A praia é ótima, o mar é azul clarinho, a paisagem emoldurada pelas pedras é linda!! E nós passamos o dia em um barzinho a beira mar... curtindo a praia, comendo peixe, jogando cartas, tomando banho de mar, caminhando pelas pedras... uma delícia!!


* Tambaba - a nudista
Essa na verdade não é em Pernambuco, é na Paraíba... mas já que visitei quando fui pra Recife, ela entrou na lista também!
Tambaba tem duas partes: uma "normal" e uma onde se pratica o "naturismo" (e é obrigatório ficar pelado nessa parte!). É possível chegar lá, curtir a praia "normal" numa boa... mas eu e a minha irmã decidimos ter a experiência de ir pra parte nudista...
É estranho tirar o biquini pra entrar na praia... mas é bem tranquilo... as pessoas não ficam te olhando, cada um tá na sua, curtindo a praia do seu jeito - seja tomando sol, caminhando na praia, entrando no mar, tomando cerveja... 
Nós caminhamos um pouco, entramos no mar e voltamos... e não, não temos fotos!! (a foto abaixo é da parte vestida da praia)


Também tem outra praia, ao lado de Tambaba, que tem paredões de areia de várias cores! Muito lindo andar no meio daquelas "montanhas" coloridas emolduradas pelo mar azul ao fundo!



Bom, isso é só um pedacinho dos paraísos do nosso nordeste... cada vez mais me certifico de que o Brasil tem mesmo algumas das praias mais lindas do mundo! :)

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